Rio Grande do Norte, segunda-feira, 20 de maio de 2013

Carta Potiguar - uma alternativa crítica

publicado em 28 de janeiro de 2012

Em nome do pai?


Certo dia, em um debate sobre a violência contra as mulheres, o conferencista argumentava que o fator desencadeador de tal violência, seria o machismo dos homens, dizendo que vivíamos em uma opressora sociedade patriarcal.

Será? São notórias as transformações da família, e, sobretudo, as mudanças das relações entre os membros desse grupo. As mudanças das relações entre homens e mulheres. Como diria o psicanalista Jorge Forbes “há algum tempo atrás, a mulher era a mãe de família, aquela que cuida, cuida dos filhos, zela pela educação, zela pelo senhor que faz a civilização, zela pelos homens”. A sociedade se organizava de forma masculina, havendo ai então, na sociedade industrial um modelo patriarcal, onde o pai assumia o lugar da lei, da autoridade, da interdição, a função de gerir, e isso já não mais existe.

As mulheres “queimaram” sutiãs em praça pública, as mulheres reinvidicaram um espaço. Um espaço social, um espaço político, cultural. A mulher conquistou o poder sobre seu próprio corpo, onde há um tempo seria impossível. As mulheres ganharam a possibilidade de enfrentar esse pai tirano, e dizer-lhe que ela a partir de tal momento, fará suas escolhas amorosas, livrando-se de casamentos arranjados. A mulher se colocou como capaz de frente a um companheiro talvez machista de escolher, quando e quantos filhos terá (a pílula anticoncepcional foi um marco, dando esse poder a mulher sobre seu próprio corpo), além de reinvidicar também para si, o direito de ter prazer sexual.

As relações se horizontalizaram. Um mundo que não se faz mais por hierarquias, competições, se faz mais por parcerias, singularidades, talentos, esse mundo de hoje está muito mais próximo do “ser mulher”, como bem conclui Forbes (E não se trata aqui de um “mundo agora feminista”, não, não.). A autoridade paterna deu lugar a um afrouxamento das relações, e ganha destaque o lugar do diálogo, da negociação entre os pares. Vivemos sim, um declínio do poder paterno. Ou talvez hoje estejamos diante das conseqüências dessa queda do patriarcado.

Não é mais só o homem o provedor, não é mais só o homem que dita as regras, não é só o homem que tem direito ao prazer sexual. Ao contrário, vemos hoje mulheres cada dia mais fálicas, poderosas, e como diz Lêda Guimarães, elas são hoje “A profissional realizada”, “A politizada, culta,intelectual”, “A administradora do lar”, “A mãe psicopedagogizada”, “A malhadora diet”, “A amante liberada”, etc… e o homem, coitado, como fica depois de todas essas quedas de um poder indiscutível?

Aquele homem, machista de uns tempos atrás, hoje se feminiza, e temos ai os metrossexuais, por exemplo. Homens que tomam traços da feminilidade para, dentre outras coisas, inclusive conseguirem fazer laços de parceria com as mulheres.
Vivemos sim uma “crise do macho”, uma crise do pai. Um pai que não se sustenta no lugar daquele que impõe a lei. Hoje temos um pai mudo, inerte, complacente. Diante disso, questiono o tal discurso: como falar de um modelo patriarcal diante desse pai angustiado, temeroso e tímido?

Não, não diria que vivemos um mundo não mais machista e sim feminista, diria por outro lado, que o pai do patriarcado, aquele pai da horda, que organizava toda uma vida social está morto. Diria, que não temos mais uma sociedade patriarcal, mas uma sociedade do sem limites, do gozo desmedido, herdeiros dessa fragilidade da “lei paterna”.

  • S4d1n0

    Tanto a mulher quanto o homem podem ser machistas, mas dificilmente o homem será feminista…

  • Ana

    A “crise do macho” foi boa… Nos tempos de hoje para que um relacionamento com essa “nova” mulher dê certo o homem precisa ser menos machista mesmo…

    • Thaíssa

      O homem precisa tomar atributos do mundo feminino, como meio de fazer laço com essa mulher, às vezes aparentemnte até inatingível.

ufrn
Sociedade e Cultura

A UFRN e a defesa de uma vida não-fascista: o debate sobre o consumo de drogas no campus

hnmun-la-2012-logo
Sociedade e Cultura

Universitários recebem menção honrosa internacional