Durante o mês de janeiro é aberto no litoral de Parnamirim a temporada de shows no Circo da Folia. É comum nessa época do ano reunir um grupo de amigos ou a própria família e curtir uma banda de axé ou quem quer que seja neste local.
E foi exatamente isso que resolvi fazer no final de semana passado. A primeira das minhas constatações começa com o valor da entrada. Sei que mudanças econômicas existem com o passar do tempo, mas lembro bem que há 5, 6 anos a senha ainda estava chegando na casa dos R$20. Hoje uma senha antecipada custa R$40,00, o camarote então eu nem sei o valor, porque nunca freqüentei tal lugar.
“Abri dos peitos”, comprei a danada da senha e esse seria meu divertido final de semana. É, mas não foi. O Circo da Folia passou há pouco por uma reforma, tirando a lona e asfaltando o que antes era paralelepípedo. Então, acredito eu, que os responsáveis pensaram que apenas por causa disso poderiam colocar mais pessoas do que o local permitia.
Começa agora minha odisséia. Logo na entrada (entrada única vale ressaltar) uma multidão tomou conta da rua que dá acesso ao circo. E apesar de já ter pulado o Carnatal, eu nunca tinha passado por um sufoco tão grande. Pessoas espremidas, empurrando umas as outras, um bafo quente subindo, todos na tentativa de chegar aos quatro corrimãos que nesta hora mais pareciam uma miragem. Minha vontade era de ir embora dali imediatamente, mas eu não podia, eu já estava lá no meio, sem falar que a senha tinha sido cara demais para eu desistir sem ouvir pelo menos uma música.
Uma hora o ar me faltou e por pouco não desmaiei, meu namorado (que foi heróico, diga-se de passagem) me levantou em meio à multidão e assim consegui respirar. As pessoas quando me viram pálida, foram solidárias e me deixaram passar. Quando cheguei aos corrimãos, uma briga tomava conta do lugar, era um cara esbofeteando outro sei lá porque, até que eles foram afastados.
Depois do susto finalmente consegui entrar no bendito show. Achei logo estranho porque se tinha alguém fazendo revista, eu não vi. Das pessoas que estavam conosco, ninguém foi revistado. Mas, enfim, eu estava lá dentro e pensava que a minha diversão ia começar, não foi isso que ocorreu. O lugar estava intransitável, insuportável de tanta gente. Alguns amigos foram assaltados, o ladrão chegando a roubar carteira e celular.
Acrescentando a isso, num determinado momento não tinha água nem refrigerante no local e olhe que passei boa parte do tempo tentando chegar de um ponto para outro, só tinha cerveja. E como eu não bebo saí para comprar água. Terminei ficando lá por fora mesmo, fui embora daquele caos. E no final de tudo eles lucraram até com as fichas que eu não utilizei.
Para mim inclusive esse novo nome – Arena Verão – foi muito bem pregado, porque ali parecia mais uma arena romana aonde as pessoas representavam os gladiadores lutando umas com as outras para conseguir assistir um show. E tem gente que mesmo depois de passar por tudo isso ainda vai para o próximo.
Finalizando, não quero falar exatamente sobre gostos musicais – pois cada um tem o seu – e os problemas sociais do mundo e da cidade pacata e “elitista” Natal (até acho muito pertinente). Quero enfatizar minha crítica à falta de organização do responsável desse show, que não montou uma estrutura adequada e com segurança para receber um número exacerbado de pessoas.
Eles devem ter lucrado e muito em cima da insatisfação do povo. Que vocês leitores analisem bem o lugar que vocês irão freqüentar, porque a besta aqui não cai mais nessa não.