O cartunista Laerte, um dos mais criativos do país, resolveu se vestir de mulher, integrando-se a um movimento que existe hoje em todo o mundo, onde os homens experimentam suas porções femininas. O escândalo está na mídia. Segundo o cartunista Laerte “Há uma conexão possível involuntária e bem-humorada – entre a minha participação e a segunda feira de Carnaval, época em que a transgeneralidade é aceita mais abertamente”, disse ele, que se veste de mulher há três anos. O complicado para as mentes reacionárias e homofobicas é entender que vestir-se de mulher não significa que o sujeito esteja assumindo-se como gay.
O que Laerte está fazendo é uma atitude provocativa e comportamental. No final dos anos 50 o artista plástico e arquiteto Flavio de Carvalho saiu ás ruas do centro de São Paulo, com um saiote. Pode-se imaginar o escândalo, naquela época. Ele explicou que num clima tropical como o Brasil, os homens deveriam usar saias.
A atitude do cartunista Laerte é um happening anarquista que está sacudindo o marasmo deste país tropikaos. Precisamos de mais provocações em todos os sentidos. Laerte acendeu o pavio. Viva a sua coragem e audácia. Em por na pratica a dualidade masculino-feminino que todos nós temos. Freud já sabia disso. Sempre achei o machismo um comportamento abominável. As mulheres são bem mais interessantes do que os homens. O ator Antonio Fagundes diz numa entrevista que as mulheres são privilegiadas sexualmente. Não precisam de ereção. Estou pensando em comprar uma saia. Falta-me coragem para sair às ruas. Mas com este calor infernal vou usar em casa.
