Rio Grande do Norte, quinta-feira, 31 de julho de 2014

Carta Potiguar - uma alternativa crítica

publicado em 7 de maio de 2012

O consumo de drogas na UFRN e como lidar com o tema

postado por Carta Potiguar

Por Alyson Freire e Carlos Freitas

 

Imagem: cagrimmett

A universidade é o espaço por excelência da problematização dos dilemas culturais e sociais de nossa civilização. Nesse espaço, relativamente desprendido das pré-noções do senso comum, indivíduos e coletividades podem submeter ao debate reflexivo e equilibrado, temas socialmente delicados e permeados de pré-julgamentos, suspendendo estigmas e preconceitos que se reproduzem muito mais por força do hábito e dos discursos simplificadores (Mídia, Polícia, Igrejas) do que por entendimento racional dos fatos e suas implicações.

Dentre esses dilemas sociais, um, em particular, destaca-se por sua recorrência e generalidade nas universidades brasileiras, porém tal dilema é ao mesmo tempo o mais estigmatizado pela sociedade e o menos discutido e enfrentado pelas universidades. Trata-se da questão do consumo de drogas no interior do campus. O problema da existência de usuários, e mesmo “viciados” em drogas pesadas na universidade é um problema de fato e que merece o reconhecimento e a atuação institucional.

Nesse debate, repleto, por um lado, de fórmulas prontas alarmistas, discursos redutores e preconceitos e, de outro, por discursos românticos e de mistificação das substâncias psicoativas, o que menos se discute é sobre como intervir na questão em pauta. A falta de real diálogo e de ação efetiva em favor do etiquetamento de rótulos – conservador, fascista, vagabundos, traficantes, etc. – por proibicionistas e anti-proibicionistas cumpre tão somente a função de impedir que a universidade intervenha decididamente sobre o consumo de drogas.

A questão central a ser debatida e enfrentada por professores, pesquisadores, funcionários e estudantes diz respeito a colocar a seguinte indagação: como abordar o consumo de drogas no campus evitando que este tome dimensões que desemboquem na intervenção externa, isto é, de instituições exteriores à universidade? Em todo esse imbróglio, o que está em jogo é a gestão responsável e a defesa da autonomia universitária. Razão pela qual, é premente a elaboração e execução de uma intervenção da própria universidade que apele, unicamente, a sua racionalidade do diálogo e da educação.

Uma intervenção institucional legítima

Para uma efetiva ação política e pedagógica sobre a questão do consumo de drogas nos setores da UFRN, não basta apontar as feridas ou nomear culpados. Muito menos apelar ao poder da ordem legalista e seus aparelhos de repressão social (ação da polícia na universidade, por exemplo). É preciso pensar o enfrentamento do problema no âmbito interno da própria instituição universitária. E aqui, melhor do qualquer outra instituição, a universidade tem a seu serviço, capital humano e científico de excelência (médicos, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, sociólogos, antropólogos, etc.), capaz de intervir de modo eficaz e legítimo no tratamento do problema com o consumo de drogas na universidade. E o mais importante, dispositivos institucionais que podem atuar com a preocupação de não gerar traumas ou violência na vida dos consumidores de drogas. A universidade pode ser um laboratório mesmo de gestação de políticas publicas inovadoras de intervenção sobre o consumo de drogas na sociedade.

Mas para que isso aconteça mesmo, a universidade precisa marcar posição publica sobre a questão. Agir com indiferença ou se calar diante do problema das drogas nos campus universitário não se coaduna com o seu papel civilizatório. A universidade deve intervir sim, mas não recorrer a forças externas, pois isso seria admitir publicamente perante a sociedade a sua incapacidade institucional de lidar com problemas internos ao seu campo de ação. Além do mais, a interferência de agentes exteriores significaria submeter a racionalidade comunicativa e pedagógica que caracteriza a Universidade por uma outra forma de racionalidade, mais imperativa, diretiva e autoritária.

O consumo de psicoativos como uma prática da “dietética” ou como um antidoto para as tensões diárias

 Urge, também, questionar os estudantes libertários e os consumidores de drogas. Critica-los em relação aos abusos de suas práticas de uso do espaço público e em suas posturas dirigidas aqueles que não-compartilham de suas preferências e hábitos. É imprescindível perguntar a propósito do que esperam da instituição. Querem que ela faça vista grossa e os acobertem confiando unicamente em seu bom uso da liberdade e do respeito à convivência? O que fazem para que o discurso da diversidade e da liberdade não seja um via de mão única, que serve a uns mas não a outros? O que propõem de realmente prático para “solucionar” a questão dentro do campus? Um consumo consciente? Espaços específicos para consumo?

Mais uma vez, a partir do patrimônio de saberes e conhecimentos oferecido pela própria universidade, podemos encontrar um caminho. É possível pensar outras atitudes de relação com o uso de substancias psicoativas, menos dramáticas e menos hipócritas ou cínicas. Apoiadas talvez numa ação moral mais ampla de exercícios e regimes de práticas de si; ou ainda como formas de relaxamento contra as tensões do dia a dia.

Instituir uma dietética que problematize o prazer corporal derivado do consumo de substâncias químicas ou orgânicas que alteram a percepção pode ser parte integrante dos passos para a formação de um sujeito moral. E o mais importante, para o desenvolvimento de relações consigo que objetivam “liberar” ou “libertar” o indivíduo de se deixar dominado pelos seus impulsos primevos de sorte a exercitar uma verdadeira e autêntica soberania sobre si e suas paixões. Como se referia Michel Foucault com respeito às antigas éticas gregas, um governo de si fundado no auto-governo dos prazeres do corpo.

Mas para isso, também é necessário não se deixar iludir com o canto de sereia de associar mecanicamente o consumo intempestivo e intemperado de narcóticos ou psicoativos a um ato politicamente libertário, tal como defendem muitos dos estudantes anti-proibicionistas e cannabistas da UFRN.  Não se pode chamar de “liberdade” a servidão do indivíduo à busca desregrada do prazer hedonista. Encantar o uso das drogas como prática vanguardista intelectual ou artística, isto é, tomá-lo em si mesmo, sem mediação ética, reflexiva, como força expressiva do que quer que seja é dourar a pílula.

O governo de si não está automaticamente dado, mas é uma conquista diária do trabalho de si sobre si. O mesmo se pode dizer do uso temperado dos psicoativos. Esse pressupõe um continuo regime de práticas de relação com o corpo e com o outro. Uma arte de viver que transforma a ordem corporal numa ordem moral de condução de si para que os prazeres e delírios do corpo – microfascismos do desejo – não recaem sobre nossa própria liberdade e à dos outros.

Não obstante, pode-se ainda indagar a respeito de outras funções sociais para com o consumo de substâncias psicoativas (“drogas”).  Por exemplo, como um “relaxamento de si”e uma forma de lazer e fruição individual ou compartilhada. No entanto, também estas, exigem um ethos ou estética de cuidado de si, se não do bom uso da liberdade e do desejo, mas, pelo menos, do bom governo do bem-estar do corpo.

As drogas podem ser não somente modos de subjetivação de si, mas também formas de relaxamento e contrabalanças às tensões e cargas de estresse de uma vida profissional e urbana diária. Uma maneira de “se desligar”, “se distrair”, “se liberar” das seriedades das duplas vidas profissionais e familiares, da fadiga escolar, da preocupação ou contrariedade. Mas assim como no uso moral e estético da droga, o uso relaxante das drogas não pode ser desregrado e cheio de excessos, haja o risco de adoecimento do corpo e do espírito. Afinal, o adoecimento e sofrimento emocional pelo uso compulsivo de substâncias psicoativas não é uma “invenção midiática”, mas um fato objetivo empiricamente irrefutável. A menos, é claro, que chutemos todo e qualquer argumento fundado no logos. Mas aí, não haverá diferença entre o nobre anarco-libertario esteta e o crente medíocre. Em suma, fazer uso das drogas para relaxar ou experimentar não é uma performance trans, pós ou outros salamaquês discursivos. Mas uma práxis reflexiva de exercício do logos na temperança dos prazeres do corpo.

Portanto, a Carta Potiguar, se posiciona mais uma vez, em defesa da Universidade, não de seu poder e burocracia, mas de sua potência como instituição de educação e pesquisa em cujo repertório intelectual, ético e humano pode encontrar as soluções para os seus próprios dilemas e problemas. Repertório e legado que não está nas mãos ou sob o controle dos administradores ou mesmo dos professores. Cabe à nós, estudantes, reivindicá-lo e usá-lo em favor da ideia de universidade que nos anima e que aspiramos, ou seja, a universidade como espaço de conhecimento, liberdades e vivências.

  • http://twitter.com/publicidadeAle coloradoRN

    Daqui a pouco o “maconheiro cultural” vai defender sua tese.

    • SouAlecrinense

      Realmente essa é a melhor maneira de lidar com a situação, Colorado? Postura retrograda, que não contribui com debate e que por si destila todo o seu preconceito. 

      Canabista, Pai de um filho de 3 anos, Casado, Trabalhador, Estudante Universitário. Pra vc entender que a única coisa que nos difere é o preconceito que vc carrega e eu tento me livrar, e o fato de eu ser Usuário!

    • Victor

       Você quer dizer que o usuário de cannabis culto não merece espaço no debate ou que ele não existe?

  • Daniel Menezes

    De fato, conforme disse em texto anterior, ser usuário de maconha não diz nada sobre ninguém.
    Apenas que é usuário (como freud disse que um charuto pode ser apenas um charuto). Há pessoas que usam maconha e levam vida “normal”, como há os que enfrentam problema, como acontece com usuários de álcool e/ou mesmo entre não usuários.
    É um preconceito bobo.

  • http://profile.yahoo.com/ZB2XSLHKMQUEIMWWE6KCDEY5LQ Alyson Thiago

    Boas ponderações, Wagner.

    Não apenas sobre as “galeras psicotrópicas”, mas também a ideia de universidade que sustentamos no texto. Concordo com você, que há nela sim um quê de idealização, que a imagem que fizemos, de sua missão e racionalidade nem sempre coincidem ou se harmonizam com sua rotina realmente existente. Aqui, é o poder burocrático, a lógica da concorrência dos cargos e do lattes, dos favorecimentos pessoais, o teatro de assassinatos anônimos, trituradora de gente e reputações, enfim, todos os vícios e violências que quem frequenta os cafés e corredores do departamento sabe. A luta pela autonomia universitária e por sua racionalidade pedagógica é uma luta contra a própria universidade. 

    No entanto, evitemos cair no fatalismo de dotar o poder de mais poder do que ele realmente possui, superestimá-lo com mais força e eficiência do que de fato ele realmente é capaz.  Porque assim, num jogo já desigual de partida, a atitude mais racional é desistir e lamentar, cair nas lamúrias cinzas das distopias ou então se entregar ao puro delírio.

    De todo o modo, assim como nas rodas e galeras do II vige uma potência expressiva e rica de sentidos para o existir acadêmico, de ousadias políticas e estéticas, conforme testificam as diversas iniciativas, intervenções, manifestações, coletivos, eventos e experimentações ao longo dos anos, também na universidade vigora, subterrâneo, a potência que evocamos, inclusive com este nome. E, aqui, como muito bem você acentuou, a força liberalizadora e a reivindicação por sentidos outros, por heterotopias, de cannabistas, libertários, artistas-filósofos, jovens intelectuais inquietos, enfim, todos esses grupos e bandos que fazem de suas práticas uma forma de autorrealização radical e que colocam suas forças estéticas e intelectuais à serviço da vida se somam para reivindicar e praticar esta ideia de universidade que existe subterraneamente, nos desejos.

  • Atilonubro

    teu bóga

  • alguém

    a única diferença entre o veneno e o remédio e a dose, então vcs que escrevem ai do mundo virtual dos céus dosem bem suas palavras, e não generalizem nem apenas analisem as situações que se passam no setor de aulas dois, pois muitos enfrentamentos, inclusive, autoenfrentamentos, são encarados todos os dias…. 

    então vão lá conversem de verdade com as pessoas, explorem a política do cotidiano e não voltem a escrever asneiras como o caso de usuários de craack…

    pq não problematizam o alcool? está presente tanto no setor dois, como no resto da universidade, e na casa de seus familiares…

    att, abraço

    • Daniel Menezes

      Alguém,

      primeiro o bom debate deve ser travado entre pessoas conhecidas, que assinam as coisas que falam.
      Há sim usuários de crack na universidade. Não falamos das “nuvens”, conforme você, ao estabelecer uma tola divisão entre “teoria” e “prática” imagina pressupor.
      Aconselho, inclusive, que você converse com as pessoas da instituição.
      O texto e a discussão tem foco específico: “uso de drogas na universidade”. Não dá para querer falar sobre tudo se o tema é esse.
      É não dividimos maconha, álcool e crack. Porém, hoje, alunos chegam emaconhados em sala de aula. Que direito um usuário de maconha acha que tem de impor isso ao seu professor e demais colegas de classe?
      Quando fui aluno de graduação, reclamamos com um aluno que chegava, com frequência, cheio de cachaça na cabeça, o que representa a mesma situação.
      Eu tomo cana, 51. Porém, eu não chego no corredor de uma universidade coloco um litro de cana e começo a encher a cara e a escrachar com os outros.
      Todo usuário de maconha faz isso? Obviamente que não. Como tem cachaceiro para todos os gostos, há também maconheiro de todos os tipos.
      Para mim não há nenhuma diferença entre meu vício em álcool e o seu em maconha. 
      Por isso defendo que tanto eu, cachaceiro, como o outro, maconheiro, respeitem o espaço público, que tem pessoas que não compartilham das nossas “pirações”.

  • http://twitter.com/RafaelNicacio2 Rafael Nicácio

    A questão não é nem o FUMAR em si, e sim a falta de respeito de alguns que fumam isso. Fumam nos corredores, enfrente as salas e NÃO SE TOCAM QUE ESSA PORCARIA INCOMODA. Fico P com alguém fumando próximo de mim. 

  • Daniel Menezes

    Rafael,
    vou abordar isso no meu texto. Eu tomo cerveja, uísque ou cachaça, dependendo do dia.
    Porém sei que um corredor de uma universidade não é o espaço para isso. Sei também que não posso desempenhar minhas atividades de aluno, na pós-graduação, nem as de professor cheio de cana na cabeça. É um desrespeito para com os demais.
    Tinha um amigo que chegava bêbado para assistir aula. Demos uma prensa nele por questões óbvias. Ele atrapalhava a aula e fedia. Ninguém é obrigado, independentemente de ser viciado em qualquer coisa ou não, a se submeter a isso.
    No curso de Jornalismo da UFRN, minha irmã passa por uma situação de um aluno chegar constantemente emaconhado e atrapalhar professora e alunos. Além do próprio cheiro já incomodar.
    Tenho amigos fumantes de maconha, cigarro e charuto e eles têm a consciência de que o cheiro não é dos mais aprazíveis. Sabem respeitar as outras pessoas que não compartilham do vício, ou que não querem sentir aquela fumaça. Por isso sempre perguntam se podem fumar a mesa, ou então, se for o caso, pedem licença.
    Isso não é ser conservador, conforme alguns tentam enquadrar.
    Isso implica em saber respeitar o espaço público compartilhado por outras pessoas, que não são obrigadas a aceitar a imposição de práticas, costumes, etc, de terceiros.
    Levado nesses termos, a discussão se torna autoritária.
    PS. Uma vez, voltando de olinda num ônibus de excursão, eu e dois amigos voltamos bebendo todas, enquanto que todos os demais dormiam. Nos pediram várias vezes para que parassemos e não paramos. Daí que o diretor da excursão chegou e deu uma prensa: ou vocês param e respeitam os demais, ou então vão descer. Claro que nos obrigar a descer era complicado, mas, com certeza, ele tinha razão quando dizia que a gente estava avançando sobre os direitos dos demais, que queriam simplesmente descansar.
    Tem maconheiro que não quer apenas a liberação das drogas, quer impor o seu vício para os outros, além de sua piração. E isso é autoritário e nada democrático. 

  • http://twitter.com/MozartEleMesmo Mozart Maia

    É curioso como os cannabistas, maconheiros, usuários, ou qualquer alcunha que não considerem preconceituosa, consideram que devem ter o mesmo direito que as pessoas que bebem, mas não consideram a falta de lógica nesse argumento. Me digam cannabistas, quantas pessoas você vê andando pelo setor 2 com uma lata de cerveja na mão? Ou uma garrafa de vodka, cachaça, uísque?

    • Daniel Menezes

      Eles consideram que devem ter o mesmo direito dos usuários de álcool, o que é justo.
      Porém, não querem ter as mesmas obrigação na UFRN, o que é injusto.
      Você foi na raiz.

    • http://www.cartapotiguar.com.br David Rêgo

      Eles conseguem ver muitos…. pois muitas vezes os locais para fumar tb tem gente bebendo.

  • Alyson Freire

    Como coloquei no outro comentário, concordo com boa parte de suas ponderações, inclusive, na sua aposta nas “galeras”, afinal a própria Carta Potiguar é fruto delas, gestada pelo ambiente e sinergia do setor II. No entanto, apesar das críticas, ainda aposto na universidade, em seu legado e nos seus – bons – professores/pesquisadores.

    Acredito na universidade mas sem abrir mão de uma micropolítica que atue pelas margens, criando heterotopias como a Carta, e que desafia e critica o poder, suas violências, vícios e equívocos. Ao mesmo tempo, essa micropolítica deve ter como horizonte transformar a instituição e saber jogar com ela, adentrar e usar os seus espaços e recursos (pós, bolsas, pesquisas, núcleos) sob a pena de não se aprisionar nas próprias margens em que se move, isto é, ser uma potência que não apenas ronde e circule, mas que penetre no seio do que pretende mudar ou destruir. Por isso, sem ceder ao veneno lento do academicismo, é preciso movimentar-se por dentro dos claustros acadêmicos, cumprir suas exigências e seguir suas regras, usufruindo ao máximo o que pode ser usufruído. A diferença consiste à serviço do que colocaremos as nossas energias e o que aprendemos e obtemos da universidade.

    Aproveito, também, Wagner, pare reforçar o convite já feito por Daniel para você se tornar Colunista da Carta, como sei que gostas de escrever e provocar, e a tirar por seus últimos comentários, nos quais lucidez e intensidade se enroscam como namorados, creio que você pode brindar a todos nós, leitores e à Carta, com singulares contribuições. Fica o convite, qualquer coisa é só entrar contato: cartapotiguar@gmail.com.br ou alyson_thiago@yahoo.com.br, que providencio os detalhes técnicos. Abraços,

  • http://profile.yahoo.com/ZB2XSLHKMQUEIMWWE6KCDEY5LQ Alyson Thiago

    Wagner, como coloquei no outro comentário, concordo com boa parte de suas ponderações, inclusive, na sua aposta nas “galeras”, afinal a própria Carta Potiguar é fruto delas, gestada pelo ambiente e sinergia do setor II. No entanto, apesar das críticas, ainda aposto na universidade, em seu legado e nos seus  - bons – professores/pesquisadores. Algo como não jogar a água da bacia com o bebê dentro…

    Acredito na universidade mas sem abrir mão de uma micropolítica que atue pelas margens, criando heterotopias como a Carta e outros experimentos, e que desafia e critica o poder, suas violências, vícios e equívocos. Ao mesmo tempo, essa micropolítica deve ter como horizonte transformar a instituição e saber jogar com ela, adentrar e usar os seus espaços e recursos (pós, bolsas, pesquisas, núcleos) sob a pena de não deixar aprisionar pelas próprias margens em que se move, isto é, ser uma potência que não apenas ronde e circule, mas que penetre no seio do que pretende mudar ou destruir. Por isso, sem ceder ao veneno lento do academicismo, é preciso movimentar-se por dentro dos claustros acadêmicos, cumprir suas exigências e seguir suas regras, usufruindo ao máximo do que pode ser usufruído. A diferença consiste à serviço do que colocaremos as nossas energias e o que aprendemos e obtemos da universidade.

    Aproveito, também, Wagner, pare reforçar o convite já feito por Daniel para você se tornar Colunista da Carta, como sei que gostas de escrever e provocar, e a tirar por seus últimos comentários, nos quais lucidez e intensidade se enroscam como namorados, creio que você pode brindar a todos nós, leitores e à Carta, com singulares contribuições. Fica o convite, qualquer coisa é só entrar contato: cartapotiguar@gmail.com.br ou alyson_thiago@yahoo.com.br, que providencio os detalhes técnicos. Abraços,

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