Rio Grande do Norte, segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Carta Potiguar - uma alternativa crítica

publicado em 13 de abril de 2013

Afinal, que tipo de mulher tem em Natal?

postado por Vanda Regina

Do Coletivo Leila Diniz

 

images (1)A visão naturalista, generalista das mulheres de Natal descrita no texto Feliz Natal, publicado porMárcio Nazianzeno, na revista Playboy, você pode ler o texto no link: http://playboy.abril.com.br/sexo/comportamento/feliz-e-natal/ , tem gerado repercussões nas redes sociais. O que era de se esperar, dado o teor machista, reducionista e preconceituoso com os quais o autor tratou de usar para descrever o comportamento feminino na cidade.

Ora, a ideia da natalense quente e que leva a vida de praia e curtição sexual é tão antiga, que mostra o despreparo e desconhecimento histórico de Natal pelo articulista. Lembram da Segunda Guerra Mundial? E da década 1980/1990, quando o governo divulgou imagens de Natal, com uma moça e sua bunda em destaque em um buggy? Essa propaganda gerou um desgaste político até hoje debatido e repreensível judicialmente, face sua visão reducionista e mercantilista do corpo feminino. E, ainda hoje, permear todo um texto, com um tom sugestivo de que Natal é uma cidade para turismo sexual… é difícil compreender.

A cidade é litorânea e com clima predominantemente de verão, o que leva a maioria das pessoas a se vestir com roupas mais leves, curtas, coloridas. Acreditem, vestimentas apropriadas para o calor! Mas que aos olhos de alguns, pode soar como convite sexual, dado da cultura machista, na qual qualquer comportamento “desviante” feminino é tido como abertura sexual fácil e permissiva.

Mas qual o risco de generalizar as mulheres? O risco é que você trata um lugar como sendo apenas aquilo, você estigmatiza, e o estigma esconde a complexidade e diferença existentes, reduz uma realidade a apenas ao que você propaga. Em Natal, assim como em qualquer cidade, há vários tipos de mulheres, pertencentes a diferentes classes e condições sociais. Há na cidade, trabalhadoras, mãe de famílias, casadas, lésbicas, divorciadas, empresárias, solteiras, pastoras evangélicas, católicas, ateias, agnósticas, idosas, jovens, negras, brancas, etc. Enfim, uma gama de tipos de mulheres correspondente à própria condição humana, o que é sabido por qualquer um que tenha razoável conhecimento das ciências humanas. E acreditem, tem mulher reitora, tem poetisas e atrizes famosas, tem professoras e tem feministas conhecidas internacionalmente.

E também há jovens garotas que usufruem de sua liberdade para dançar, namorar, ficar e ter experiências sexuais, assim como ocorre em diversas cidades brasileiras. Isso é um dado da modernidade e, não da cidade de Natal isoladamente. É importante lembrar que a tal fome sexual, que o autor escreve, reforça as diferenças entre homens e mulheres, quando ninguém se choca com comportamento livre masculino, e quando uma mulher age assim, ela só pode ser comparada a um cio animal. Ainda há algo bem preocupante que permeia todo o texto; é a ideia de um reforço ao turismo sexual na cidade, fato também muito debatido publicamente e com inúmeras ações judiciais.

O machismo tem disso, se reveste de engraçado, sensual, divertido e, por hora, despojado, crítico, inteligente… Porém, como bem destacou a blogueira Lola Aronovich sobre o Gerald Thomas ter metido a mão sob o vestido de Nicoles Bahls na TV, “nada é mais careta e ultrapassado que ser machista. Gerald Thomas é só mais uma relíquia posando de moderninho”. (Leiam no blog: http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br) E só a fim de divulgação de informação, os dados demográficos apontam que o défice masculino no Brasil é de quase 6 milhões, e onde menos tem presença masculina é no sudeste, pesquisa feita em 2012 peloPNAD (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Mas afinal, que tipo de mulher há em Natal? Há também aquelas que se rebelam contra atos machistas, porque isso nada tem de liberdade de expressão e opinião.

Vanda Regina

Vanda Regina Albuquerque é jornalista , socióloga, ativista da AMB e sócia do Coletivo Leila Diniz/Natal-RN, atualmente trabalha na União e Inclusão em Redes e Rádio (UNIRR/SP). Contatos: vanda.jorn@gmail.com e no twitter: @vralbuquerque

3 Responses

  1. Ora bolas!Natal,com no resto do Brasil,está longe de ser um paraíso do recato feminino.Fiquei pensando em Giberto Freire que afirmou que quando os portugueses chegaram por estas plagas, escorregavam em corpos nus e no atacado.Falou também do carater do português como sendo quase um tarado.Aquilo lá era um paraíso com mulheres disponiveis e sem cobrar nada, e não esse bando de interresseiras que permeiam a sociedade capitalista,aqui e alhures.Até mesmo as de classe média que falam tanto em igualdade,mas só copulam com gente de sua classe.O fato é que uma sociedade indigena onde a sexualidade era exercida com liberdade e a escravidão em que a mulher escrava servia a cupidez do seu dono,querendo ou não.O recato era exgido com rigor para as mulheres da aristocracia,depois as das classes burguesas.Ora,isso contribui para formar uma moral sexual um tanto quanto frouxa.Com a tal modernidade (Revolução Cultural) o elo do moralismo das chamadas mulheres de boa familia foi ficando cada vez mais frouxo.Em relação a Segunda Guerra,em Natal é fato que os natalenses era preterido aos imperialistas.As mulheres da plebe serviam a cupidez dos imperialistas (em bordéis como o Arpegio e a famosa casa de Maria Boa) em quanto as de classe média sonhavam em tirar a sorte grande casando com um militar americano.É de conhecimento que lá fora o Brasil é conhecido por exportar bundas,o carnaval carioca e paulista é o maior exemplo disso.É fato também que a libido masculina (isso não dar direito ao homem de assediar uma mulher com pouca roupa) é visual,isto não é machismo é da natureza do homem.Viva a Babilônia moderna e salve-se quem puder.

    • Chrystina Damasceno disse:

      Olha eu sei que é chocante pra você e pra várias pessoas, mas você citou algumas situações históricas em o que aconteceu foram estupros e escravidão (ou seja, sexo não consensual, quer que eu desenhe?) e só por uma lógica muito torta mulheres que para sobreviverem tiverem que se SUJEITAR (eu disse se sujeitar, não disse curtir ou desejar) podem ser consideradas lascivas ou algo similar, “máquinas do sexo sempre dispostas a saciar os homens” porém sem autonomia sobre o próprio desejo. Sei que é difícil pra muitos homens (e infelizmente para mulheres contaminadas de machismo também) entender que hoje em dia as mulheres tem mais consciência e autonomia sobre os próprios corpos, é nosso direito sabe? Transamos quando queremos e com quem quisermos, a patricinha que defende a igualdade não é obrigada a transar com um mendigo pra fazer caridade ou defenser a causa, ela transa com quem lhe dá tesão, afinal não é assim que acontece com os homens?

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