Rio Grande do Norte, terça-feira, 26 de julho de 2016

Carta Potiguar - uma alternativa crítica

publicado em 17 de fevereiro de 2016

Os Uivos de um poeta extremo

será que um dia

eu serei

você?

SIM,

eu serei você

& serei todo mundo

serei parte de todas as coisas

como hinos fluindo

nos poros da metamorfose”

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Eis um dos meus trechos preferidos do novo livro de Ikaro MaxX, poeta de verve franca, enérgica e sonhadora que gravita entre a canção, a prosa filosófica e o poema livre. Filósofo de formação e interessado em “vários campos dos saberes”, com apenas 30 anos já lançou vários livros e em 2006 ganhou o prêmio Novos Escritos, organizado pela prefeitura de João Pessoa, onde vive. A obra mais recente foi lançada no começo de 2016: o libelo Uive quando se sentir Eterno. Conversamos sobre o livro, vida, arte, literatura, marginalidade, experiências extremas, sociedade e muito mais. A entrevista ficou um pouco longa, mas vale a pena viajar pelas confissões e desabafos desse paraibano que me parece um dos jovens poetas mais provocadores, intensos e eloquentes das recentes safras nacionais.

1) Faça a gentileza de apresentar seu mais novo livro para quem ainda não o leu…

O meu último livro é um livro de poesia ou libelo. Na realidade, o chamado para o livro veio de uma rotina estafante & a necessidade de tirar meus pensamentos da solidão que venho vivido desde que minha filha foi morar em outro estado. O título veio de um coletivo – na realidade, um “Holístico”, como eles mesmos se definiam – de vivência & arte experimentais que pesquisava & fazia ações culturais & místicas aqui pelas redondezas. Tava meio que circulando & sempre trocando ideias, quando vi uma arte do Diego Gerlash com essas palavras capitais, daí algo explodiu dentro de mim. A ideia ficou guardada até que, na busca por um nome, este ressurgiu na noite em que comecei a trabalhar o livro & achei a coisa fantástica & genial demais para descartá-la.

Essa proto-versão tem apenas 9 poemas (um deles mais “gráfico”), mas tô programando mais algumas dezenas para a versão extended (também não quero um “calhamaço”, por mais que eu possua muito material bom, sim, para um – a ideia é que o livro circule, venda, atinja os leitores & um livro muito grosso ou grande pode dificultar o processo de ruminação & vivência). Nesse livro tomei a ousadia de nomear algumas musas que inspiraram os poemas & a linguagem circula & corta caminhos entre uma dialética porosa & bela de imagens com coisas brutas & desnudas, sem afetação. A vida moderna, o cotidiano, as aspirações, discrepâncias & visões estão fervilhando nas palavras do livro.

Procurei, no entanto, tornar mais palatável & acessível ao público – inclusive, nesta primeira versão, fazendo de maneira autônoma as cópias & “distribuição/venda” do produto –, de forma a entrar em contato direto com o leitor, trocar ideias, “mostrar a persona pública” do poeta sem o artifício da performance em espaços oficiais com o espetáculo prêt-à-porter. O contato real com o leitor pode fazê-lo vivenciar & “consumir” a poesia de uma maneira diferenciada, sem entrar naquela onda fake gourmet, entende? Inclusive falo que o preço do livreto é “flutuante”, pois que a crise tá pesando em todos os bolsos & almas, mas a vontade de viver continua quebrando os termômetros, independente de por quais meios…

12643030_213277575686639_4773793967415910144_nA consciência é um crime que devasta nossas energias & defeca paralisias imperdoáveis. Estou colocando minha consciência numa tábua de tiro ao alvo & atirando facas. Enquanto ela sangra, eu gargalho. Meu crime é devolver meu corpo à pura Vida.” (trecho de poema)

2) Como foi seu caminho de descoberta da escrita?

Tive, desde cedo, um contato aprofundado com a escrita porque…bem…eu não conseguia me comunicar com os outros desde criança – fosse por timidez, medos, preguiça ou mesmo problemas de socialização. Talvez tenha sido consequência do “excesso de espírito”, como um transbordamento dos meus sentimentos mais complexos, minhas vontades mais vorazes que não encontravam um fulcro ou canal de evacuação. Não fui uma criança normal ou um adolescente saudável – tive muitos problemas, a nível psicológico mesmo, de surtar & enlouquecer diversas vezes, de ter comportamentos & vontades medonhas, tiques, & isso repercutia em tudo na minha vida, com minha família, relacionamentos, etc. É engraçado & um pouco escroto olhar pra isso tanto tempo depois. Como não conseguia passar muito tempo dentro de um grupo de amigos – migrando & migrando & tendo experiências de todos os tipos –, acabei me enfurnando em meu quarto para ler as “obras universais”, os clássicos da literatura, psicologia, sociologia, filosofia, linguística, teatro & etc. Tava tentando buscar me “entender”, me “justificar”. Meu espírito, sério & zombeteiro ao mesmo tempo, entrava em diálogos & debates radicais com toda essas tradições & saberes, mas ao mesmo tempo buscando não me associar a nenhuma &, assim, inaugurar um platô ou diferença, indo por atalhos, rizomas, zonas de guerra & jardins cujos perfumes são exóticos.

Minha descoberta de outros loucos & sujeitos com “cheiro do crime” me levou a desenvolver uma relação radical com a escrita & com o mundo – é como justapor espelhos muito distintos para deglutir a ambiguidade, a dualidade das sombras, extraindo todo um espectro estético divergente, etc. Tornei-me “poeta” por combustão, por que olhava o mundo com olhos de víbora & de mago, de profeta & louco inspirado, de ladrão de fogo & encantador de paranóias. Saltei no abismo & escalei a montanha do viver literário – & no mundo da literatura a sujeira é bem-vinda, então não me senti, de repente, tão “estrangeiro na legião”, tão díspare & afetado –, passei a cultivar meus maus hábitos com certa doçura, conversar com prostitutas & pequenos criminosos, com intelectuais revoltados com o establishment, com lideranças políticas que não eram levadas a sério no jogo & todo tipo de gente, o que me deu novíssimos aprendizados & mais vivências sobre as quais laborar, investigar, criar, distorcer, etc. Ao trancos & barrancos fui me tornando um escritor: mergulhando no infinitésimo do particular para emergir universal em dor, angústia, prazer & vivacidade.

ikaroA tendência é que, com a globalização & etc., com os acontecimentos fora do eixo sul-sudeste podendo tomar proporções & meio que suprindo uma certa necessidade de “novidade”, quem é bom & está pelas margens pode vir a ter alguma futura projeção ou espaço, porque tudo o que está centrado nas antigas capitais da colônia cultural brasilis já se encontra velho & esgotado, apesar de sua universalidade imposta pelo mercado & pela influência imperialista vinda de outras culturas, como a americana & a europeia.”

3) Como é fazer poesia em João Pessoa? Em que redes e contextos literários e artísticos você se insere?

Ah, nesses termos devo ser, provavelmente, o mais “anti-poeta” desta cidade! Não falo em hierarquização, mas em visão & sentimentos. Costumo achar os sarais muito entediantes, porque costumam se tornar vitrines & as espontaneidades são abolidas, salvo uma ou outra exceção. Na época em que “participava”, costumava ir para IMPLODIR os eventos – bem, foi minha época auto-irônica intensificada por um monte de leituras anti-establishment & algumas drogas envolvidas. Costumava entrar nos lugares & espaços já em outro nível psíquico, para lidar com todas as pressões, expectativas & etc. É difícil ser um hipersensível num mundo que lobotomiza & transforma tudo & todos em cadáveres & máquinas.

Mas, claro, também, até certo ponto, estava “viajando” em outros, a minha “desconsideração umbiguista” tinha uma missão estético-existencial: ACORDAR os outros, como um tipo deambulante & esmulambado de incompreensível mestre zen-taoísta. Era perturbador & muita gente tinha medo de mim, achavam que eu exagerava & tinha tendências violentas em meus textos & aparições…começaram meio que fazer uma imagem negativa de mim, mas eu sabia que isso “fazia parte” do processo, porque nenhuma transformação de consciência ou da vida vem sem algumas responsabilidades & sacrifícios. E os sacrifícios são a parte mais dura da reconquista dos favores dos deuses. Estava colocando minha imagem & meu nome no fogo da opinião pública & da cena literária para não meramente zombar dos costumes falsos & simiescos, mas resgatar o espírito imerso & festivo do dionisíaco nesses momentos, tava achando tudo chatissimamente apolíneo demais, com muito ego buscando aprovação & veneração. Não tava nem ligando pro “meu ego” nesse sentido, assinava meus textos com outros nomes, pseudônimos, recusava me chamar de “autor”, etc. Há coisas muito maiores do que nossos próprios umbigos & meu método explosivo de intensificação poética causou tanto estrondo na cidade (& em outros lugares também, como Sampa, Recife, Paris, etc) que minha resposta & ressaca posterior foi a descrença na cena, nas pessoas, nas organizações & panelinhas.

Costumava pregar peças nas “estrelas” & nos “ídolos” das massas cultas & não-cultas: só de zoa, mas com um não-esclarecido/escancarado de sentido pedagógico. Estava iludido de que poderia fazer “justiça” com minhas próprias mãos & língua. Estava & fui isolado, exceto por uns poucos amigos, quase “párias”, que frequentava, ou alguns artistas reconhecidos que eram mais abertos & conseguiam sair da zona de conforto para um bom debate ou “confronto” & vivência afetiva também – era a esgrima entre o ódio de toda uma vida negada & reprimida & um amor de reinvenção de mim & do mundo, da sociedade, costumes, valores, sonhos, etc. Hoje nem me importo muito – estou até me considerando indiferente a isso…rsrs.

Não gosto muito de recitar porque minha voz não é das melhores & geralmente quando bebo muito tenho tendência à rouquidão espontânea, o que torna sofrível as leituras para quem é obrigado a escutá-las…rs. Prefiro ouvir os outros lendo meus poemas, embora às vezes alguns não captem ou sintam muito bem o ritmo “original”, a melodia conduzida pelas constelações de palavras & ilhas semânticas.

Nos antigos golpes de estado poético que fazia com alguns parceiros aqui, a gente costumava desconstruir o “poeta cantador” nordestino, o repentista, etc., chegamos, inclusive, a roubar um prêmio da mão de um deles durante uma premiação “importante” de poesia, como crianças levadas & arteiras!”

4) Acredito que a influência de autores como Rimbaud, Ginsberg e Hakim Bey é notória em seus livros. Muita gente ainda hoje acha que poeta nordestino tem que usar chapéu, ser sertanejo e apelar para o folclorismo para ter sucesso em determinados contextos… Diferente disso, você se encaixa no padrão moderno, experimental, cosmopolita. Que autores brasileiros lhe influenciaram mais?

BINGO! Esses autores, juntamente com muito outros que tornaria longo demais citar aqui, realmente me…INCENDIARAM. E a palavra é bem essa mesmo. Quando os li…eu os compreendi de imediato, como se fossem espíritos idênticos, almas gêmeas ou encarnações minhas fora de mim… Pode soar escroto, arrogante, “pretensamente superior” ou algo do tipo, mas foi isso o que pensei quando os conheci – foi como me senti durante boa parte de minha existência.

Essa coisa do estereótipo regional realmente foi algo que sempre me incomodou – & de tal forma que fui minando, num longo trabalho de reconfiguração subjetiva & descondicionamento regional, todo & qualquer traço que pudesse me fazer reconhecível dentro dos padrões de expectativa de uma ontologia regional, de uma fração de nação & cultura. Cultura & língua para mim sempre foram meio que…jaulas, prisões. Nunca me vi enquadrado na farda de uma cultura, região, cidade, sociedade, etc. Acho que o que unifica boa parte do tom dos autores citados é a constituição diferencial do indivíduo na sua dialética estranha com o coletivo, com a sociedade, buscando tanto desenvolver quanto harmonizar certas necessidades, refinar desejos, modificar & destruir estruturas perniciosas, sugadoras, falsas, não-livres. Quando as pessoas chegavam para mim para falar do Nordeste ficava indiferente porque não queria cair no jogo do estereótipo nem sair em defesa como alguém que se tivesse “deixado afetar” com a coisa do “Orgulho de ser Nordestino”. Nunca vi nada demais em ser nordestino ou mesmo sulista ou americano, indiano, parisiense, novaiorquino, etc., são todos seres humanos, erráticos, tristes, egomaníacos, vacilões, cada qual com seus dramas universais & peculiaridades tanto tristes quanto risíveis & nenhum lugar ou cidade ou país é superior ou mais especial que o outro. No fundo, é uma questão de gosto: se gosto de climas quentes, vou viver em lugares onde os climas sejam mais quentes & estáveis; se gosto de climas frios, procurarei lugares afins & etc., por aí vai!

Ikaro, bem mais jovem, com sua tribo de poetas provocadores, entre os quais o talentoso poeta Henrik Aeshna, à esquerda.

Ikaro, bem mais jovem, com sua tribo local de poetas provocadores, entre os quais o talentoso poeta Henrik Aeshna, à esquerda.

Nos antigos golpes de estado poético que fazia com alguns parceiros aqui, a gente costumava desconstruir o “poeta cantador” nordestino, o repentista, etc., chegamos, inclusive, a roubar um prêmio da mão de um deles durante uma premiação “importante” de poesia, como crianças levadas & arteiras! Para mim a poesia tem que se refletir na vida – mas entendo, mais maduro, que as pessoas extraem & têm necessidades diferentes a respeito da beleza & tal. Eu queria & quero VIVER a beleza – em todos as temperaturas, espectros, margens, intensidades, feiuras & deformações inclusive –, a indústria cultural & o Espetáculo a servem de modo frio & distante, por meio da embalagem & vitrine & algumas pessoas preferem assim…por quaisquer motivos que sejam, a maior parte deles sendo o próprio hábito mesmo, incentivado & reproduzido pelo modelo contemporâneo de vida.

Quanto aos autores brazucas…bem, tive sorte de ler & até conhecer alguns. Entre eles estão o mais ABSOLUTO para mim: Roberto Piva. O mais radical & inspirado de todos… Um verdadeiro GÊNIO, um ser intoxicado pela vida, espírito, caos, beleza, saber. Outro que me deixa nos ossos das tempestades & das nuvens é o Jorge Mautner, com quem cruzei numa das minhas idas para São Paulo. Cláudio Willer, a quem muito respeito & admiro, é outro grande mensageiro que me trouxe muitos conhecimentos & inspirações & com quem, por vezes, me correspondo & ele chegou a aprovar alguns textos & poesias meus. Augusto dos Anjos, um dos maiores picas da poesia, na minha opinião, apesar de seu lado conservador quanto à forma – mas é totalmente perdoável no caso dele. Campos de Carvalho: nossa, o que é AQUILO?! Tem também o Rodrigo Garcia Lopes…Murilo Mendes, Jorge de Lima, Cacaso – intoxicados & perfeitos. Antônio Bivar, João do Rio: vivíssimos! Millôr Fernandes. Tem vários acadêmicos, ou não, também, com excelentes espíritos de pesquisa & desvios da norma, alguns nem tanto: Robert Schwarz, Otto Maria Carpeaux, Daniel Lins (cujo livro sobre Artaud sempre me faz pirar), Arturo Gouveia, Roberto Freire, Bento Prado Jr., Roberto Machado, Mário Ferreira dos Santos, Fausto Cunha…na real tem um monte, vários mesmo, ficaria muito longo comentá-los aqui.

ikaro3Essencial é desconectar as palavras de seus fundamentos fidedignos & empregá-las numa performance totalmente nova & imprevista […]” (trecho de poema)

5) Arriscaria traçar um panorama atual para a poesia e literatura experimentais, transgressoras, românticas, surrealistas, vitalistas, beat, na Paraíba, no Nordeste, no Brasil? Em sua opinião, são tempos de safras qualificadas?

Caramba…arriscar, arriscar…prefiro…não! Acho que venho começando a sair da concha do meu longo ostracismo agora…desde 2015, com o lançamento independente de SALIVA [livro anterior de Ikaro]. Então, é ainda cedo demais para ter alguma palavra muito ilustradora a respeito… Preciso vivenciar mais, me diluir mais, penetrar mais as coisas & senti-las para transformar isso numa análise ou comentário “relevante”.

Gosto & admiro também gente como o Ademir Assunção (que me escreveu um comentário que utilizei na contracapa do SALIVA), o Mário Bertolloto, claro, o Paulo Leminski & a querida Alice Ruiz (de quem roubei um livro numa livraria & disse a ela, & me recebeu num rolê em SP em sua casa – além de ter ministrado um curso belíssimo sobre haikais aqui em JP, do qual participei), João Pinheiro (cujo livro HQ sobre Kerouac & a revista Projeto Bill são projetos fuderosos), o Wagner Uarpêik (com quem tive algumas vivências fora do comum também no meu período de desregramento público dos sentidos, etc.) & tem uma galera que está trabalhando & se fodendo & bravatando contra o mundo a fim de escrever suas obras & que também merecem o respeito. A tendência é que, com a globalização & etc., com os acontecimentos fora do eixo sul-sudeste podendo tomar proporções & meio que suprindo uma certa necessidade de “novidade”, quem é bom & está pelas margens pode vir a ter alguma futura projeção ou espaço, porque tudo o que está centrado nas antigas capitais da colônia cultural brasilis já se encontra velho & esgotado, apesar de sua universalidade imposta pelo mercado & pela influência imperialista vinda de outras culturas, como a americana & a europeia.

Os tempos estão mudando & é bom perceber & viver isso. A ambivalência & a transitoriedade são marcas “reguladoras” & quase “definitivas” da abertura dos tempos líquidos – ou quase diarréicos, por vezes.  Toda época de crise é dúbia, ambivalente, sinistra, cheia de desespero & fecundidade. É excitante ser um ator/espectador na polivalência deste transe. E sim, acho que por mais negativa que a história política & cultural do povo se mostre agora, há sempre um escape, uma ânsia de fuga & desmoronamento para uma reconstrução & é aproveitando essa freqüência psíquica que a safra que se qualifica atualmente está podendo ter a oportunidade de cavalgar suas próprias tempestades até o gosto & os olhos do público. A bomba está prestes a explodir & o circo vai pegar fogo & eu quero estar muito bem vivo para presenciar isso!

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Crédito das fotos: Facebook do entrevistado.

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Hanna Flávia Saito

Jornalista e filósofa. Tradutora e parecerista editorial. Casada com Sampa, arrebatada por Natal. Missão na Carta: entrevistas e artigos sobre literatura, cinema, música e vida cultural em geral. Não encontrou motivos convincentes para ter uma conta no Facebook.

One Response

  1. Olá, publiquei na minha página do facebook um comentário sobre a matéria/entrevista com Ikaro MaxX e vou colar aqui. Ok?
    “Viver é muito perigoso”, disseram Virgínia Woolf e Guimarães Rosa. O homem da caverna, se não o disse -por falta de palavras-, sentiu, antes de todos nós, que era literalmente assim mesmo… Pero el tiempo pasa e Ikaro MaxX, também na literatura, mostra como é perigoso (vi)ver, desnublar a visão e seguir sem ceder à tentação de fechar os olhos. E se Macunaíma pendurou a consciência num cardeiro, ele põe a sua numa tábua de tiro ao alvo… Algo, inevitável dizer, algo nietzschiano y à oriental. Nietzsche sacava disso, e muito. Lembremos que a epígrafe de “Aurora” é retirada do Rig Veda -“há tantas auroras que ainda não nasceram”…. Ikaro MaxX está parindo suas auroras, com todas as dores de um parto difícil e nenhuma cesárea. Melhor ler a entrevista. Por si só, já uma aurora.

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