Rio Grande do Norte, quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Carta Potiguar - uma alternativa crítica

publicado em 24 de setembro de 2016

“Me ajude!’’ o voto de protesto é a falência da política?

postado por Tiago Souto

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Por Tiago Souto – Cientista Social

A luta contra a corrupção na política tem sido o principal argumento para o bem da esfera pública. No entanto sabe-se por meio da Ciência Política que desde a antiguidade clássica herdamos a democracia como a melhor forma de organização social que põe os cidadãos no protagonismo das decisões coletivas.

Nas últimas eleições municipais em Natal, houveram singularidades de saltar os olhos, uma delas foi à vitória do hoje candidato a reeleição, o vereador “Dagô do forró” pelo partido do Senador José Agripino, do Democratas, e do atual Ministro da Educação Mendonça Filho.

Sua principal proposta foi e ainda é “Me ajude!” deixando muitíssimo claro para todos os cidadãos natalenses seu interesse, viver da política. Já que a Câmara Municipal de Natal oferece aos seus integrantes uma receita mensal de mais ou menos R$17.000,00 sem contar com outras verbas de gabinetes e regalias.

Mas o voto de “protesto” deste “vencedor” não foi a única singularidade do último pleito proporcional [vereador] da capital potiguar. A candidatura da Vereadora Amanda Gurgel surgiu como voz dissonante da hegemonia da época, apesar de ser partidária de um dos menores partidos, os “nanicos”, como preferem classificar alguns Cientistas Políticos esse tipo de organização partidária.

Tornando-se a vereadora mais votada do Brasil, na época, com 32.819 votos e levando pra Câmara, mais dois vereadores da sua coligação, “Frente ampla de Esquerda”, conseguiram após a vitória, aprovar o passe livre para os alunos do ensino fundamental municipal.

Enfim o tão “ajudado” vereador que depois de dez anos de tentativa, conseguiu uma vitória solitária, pois não consigo entender, sem críticas, qual o ganho coletivo dos inúmeros parlamentares que fazem de seu mandato uma forma de mobilidade social e individualismo, através das estruturas de poder vigentes, sendo antes a “vitória” da ganância e não da democracia.

Pois venhamos e convenhamos, garantir que propostas civilizatórias para a cidade, a partir de agrupamentos de interesse coletivo, se torne uma realidade nos resultados do sufrágio, não são necessários centenas de milhares de votos para a vitória ou a derrota, como se pode observar na tabela abaixo.
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Portanto, no que se pode observar, quaisquer categorias sociais da cidade, juntas, podem eleger de forma coordenada, quantos vereadores quiser…

Tiago Souto

Cientista Social e pesquisador do NUECS-DH (UFRN). Atua principalmente nas áreas de pesquisa em cultura, educação, violência e estudos urbanos, além de atuar junto aos movimentos sociais gerenciando e executando políticas públicas. É autor de capitulo de livros e artigos com vínculos, internacionais, nacionais, e locais. Contato: tiago_souto@cchla.ufrn.br

One Response

  1. Erasmo Barreto da Silva disse:

    Dagô é um desses votos de protesto que acabam com o resto de descência que ainda existe na política brasileira. Eu presenciei por várias vezes, o Presidente da Câmara na época,senhor Júlio Protásio, dizer: “A bancada do prefeito vota contra!” Um verdadeiro rolo compressor que direciona nossa Câmara para a vontade do prefeito. Essa vontade, na maioria das vezes, era de barrar projetos vindos de Amanda, Sandro Pimentel e outros vereadores que são coerentes com a vontade e o bem do povo.

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