Rio Grande do Norte, quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Carta Potiguar - uma alternativa crítica

publicado em 14 de dezembro de 2017

Trump inventou a “Meta-False Flag” em explosão de Nova York?

postado por Wilson Ferreira

À primeira vista a explosão de uma bomba caseira atada ao corpo de um homem em estação de ônibus e metrô em Nova York parece ser mais do mesmo: um não-acontecimento (aqueles fatos que são relações públicas de si mesmos) com timing, ambiguidades, anomalias, a indefectível narrativa do “lobo solitário” etc. E um homem que se explode “acidentalmente” e sobrevive apresentando um aspecto de um personagem de desenho animado chamuscado. Mas Donald Trump deu o toque de novidade: imediatamente após o suposto atentado, um tweet no qual o próprio presidente sugere que o episódio foi uma “fake news”, atacando os canais CNN e MSNBC. Uma curiosa “Meta-False Flag”? Por que Trump acusa de “fake news” um episódio no qual saiu ganhando? Para a grande mídia, o “atentado” foi retaliação contra o anúncio da transferência da embaixada dos EUA para cidade santa de Jerusalém. Ou mais um “não-acontecimento”, desta vez com objetivo de desviar a atenção da opinião pública da derrota norte-americana diante da tática de dissuasão nuclear da Coréia do Norte?

Depois de Trump declarar guerra, de ameaçar ter perdido a “paciência estratégica” com a Coréia do Norte, de ter chamado Kim Jong-un com bravatas do tipo “cachorrinho doentio” e os colunistas e analistas da grande mídia darem manchetes de que o “ataque dos EUA é inevitável”, de repente a potencial Terceira Guerra Mundial saiu da pauta dos telejornais.

Primeiro, porque com as demonstrações do arsenal nuclear norte-coreano (sem falar na superioridade numérica das tropas  daquele país) e as esperadas represálias apocalípticas de uma deflagração atômica (principalmente após Trump prometer “armar o Japão” para derrubar os mísseis balísticos de Kim Jong-un) teríamos um cenário que os estrategistas militares chamam de “destruição mútua assegurada”.

E segundo: percebendo que estava enredado no típico “nó tático” da velho xadrez da dissuasão nuclear da era da Guerra Fria e que, em questão de tempo, sem conseguir apertar o gatilho do início da guerra, perderia espaço na mídia, Donald Trump criou a não-notícia de transferir a Embaixada dos EUA em Israel para Jerusalém. O que legitimaria o desejo de Israel em transformar a cidade santa em sua capital.

O que previsivelmente despertou o ódio das massas religiosas muçulmanas (com os esperados protestos violentos de palestinos nas ruas jogando pedras contra a repressão policial israelense, prontamente mostrados pela mídia), enquanto para muçulmanos aliados como os Estados Árabes os interesses rentistas são muito superiores aos religiosos.

Protestos palestinos e a explosão em Nova York: os dois lados de um não-acontecimento

A invenção do terrorista: “Mera Coincidência”

Ao criar o factoide da embaixada em Jerusalém, Trump agiu comOo o presidente do filme Mera Coincidência (1997 – para desviar a atenção da opinião pública de um escândalo sexual o presidente dos EUA inventa uma guerra contra um “país terrorista”, com apoio de Hollywood), a grande mídia morde a isca da velha pauta-clichê “O choque Ocidente versus Oriente” e desvia a atenção da derrota de Trump diante da dissuasão nuclear com a Coréia do Norte.

Até aqui nenhuma novidade. Principalmente com a notícia de uma explosão de uma bomba caseira atada ao corpo de um homem (um suspeito chamado Akhayed Ullah, hindu de 27 anos que vive há sete anos na área do Brooklyn) em um terminal de ônibus e metrô perto da Times Square, Nova York, na última segunda-feira.

Cinco pessoas ficaram feridas, além do próprio Akhayed que sobreviveu à explosão e foi levado sob custodia da polícia.

E também não é novidade a conexão imediata feita pela mídia corporativa com a crise político-religiosa provocada por Trump em torno da cidade de Jerusalém. O atentado teria sido o começo das retaliações dos muçulmanos contra o Ocidente pela defesa desesperada da sua terra santa.

Anomalias de um não-acontecimento

Claro, o suposto atentado em Nova York também preenche a maioria dos indicadores de mais um não-acontecimento – entenda-se esse conceito como fatos que se tornam relações públicas de si mesmos como se estivessem destinados na sua origem à repercussão midiática:

(a) ambiguidade (fator viral para a viralização: fala-se em “ação inspirada no ISIS” ao mesmo tempo afirma-se que Akhayed “não tinha conexões com o terrorismo internacional”, enquanto a grande mídia incontinente diz o contrário);

(b) timing (no momento em que as imagens dos protestos palestinos circulam o planeta);

(c) o “terrorista” como um “lobo solitário”;

(d) a rapidez como a grande mídia e autoridades qualificam o episódio como “atentado terrorista”;

(e) estereotipagem do “suspeito” como um sujeito, feio e malvado RAVs – Russos, Árabes e Vilões em geral.

Além disso, o episódio guarda anomalias semelhantes aos atentados em Londres, Paris e Berlim:

(a) como sempre, os “terroristas” são facilmente identificáveis – inclusive Alkhayed possuía uma licença da Taxi and Limousine Comission, de março de 2012;

O “terrorista” saiu de algum desenho animado?

(b) Contrariando ao tradicional desfecho mortal dos terroristas (suicídio ou morto pelos próprios policiais), este de Nova York explodiu (diz-se que foi acidental) uma bomba caseira presa a seu corpo, ferindo cinco pessoas, mas inacreditavelmente sobreviveu! O mais estranho é a foto “oficial” do suspeito sendo algemado pelos policiais, mostra apenas a camiseta rasgada e o abdômen sujo pelo pós escuro da suposta explosão – não vê-se sangue, lacerações, queimaduras esperados de um artefato que detona junto à pele. Lembra muito mais os personagens de desenho animado cujas bombas explodem e o rosto fica apenas preto…

(c) A grande mídia descreveu o subsequente “caos”, “pânico” e “desespero” das pessoas fugindo da explosão e que se espalhou por todo o local da passagem subterrânea. Mas todas as fotos divulgadas dizem o contrário: pessoas calmamente caminhando como fosse mais uma aborrecida segunda-feira. A mesma anomalia foi verificada no atentado de junho desse ano em Londres – um homem caminhava calmamente com um copo de cerveja na mão – clique aqui.

A grande mídia qualifica tudo isso como “fleuma” ou “símbolo da determinação dos moradores da cidade”…

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Wilson Ferreira

Jornalista e professor na Universidade Anhembi Morumbi/São Paulo na área de Estudos da Semiótica. Pesquisador CNPQ do grupo de pesquisas "Cinema e Sagrado no Cinema e Audiovisual e autor dos livros "O Caos Semiótico" e "Cinegnose" pela Editora Livrus. Editor do blog "Cinema Secreto: Cinegnose" sobre confluências entre Gnosticismo e Sagrado no Cinema, Audiovisual e Cultura Pop em geral.

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