É, eu quase sempre vou ao chorinho. Não gosto da musica pra falar a verdade (é, dizem que é boa, mas não sou do tipo de fingido pra dizer que gosto do que não gosto pra me passar por cult, não gosto nem de chorinho nem de Chico Buarque etc.), freqüento mais para ver bons amigos, é incrível a quantidade de pessoas incríveis por metro quadrado que reúnem-se habitualmente no local. Bem, mas não é disto que ia falar.
Ocorre que, como muitos devem ter tomado conhecimento, o pacífico ambiente do Buraco da Catita foi assolado pelo mal da violência urbana. Duas pessoas foram assassinadas e uma outra saiu ferida. Assim que vi a notícia também fiquei chocado, estou ali quase toda Sexta-Feira, poderia ter sido comigo ou com algum ente querido. Não o foi. Passado o lado emotivo, voltamos a raciocinar com clareza.
Estava lendo as notícias e os comentários (obviamente a parte mais interessante) e o que mais aparecia era a idéia de que nós estaríamos “voltando à barbárie”. A primeira pergunta que se me veio à cabeça foi: Nós quem? Quem está voltando à barbárie? Perguntam-se: O que estaria acontecendo?
Voltei a relembrar de textos que li a respeito da barbárie e dos casos que tomei conhecimento como, por exemplo, um rapaz ter os olhos perfurados, após isto ser colocado em cima de um cavalo para que seus carrascos brincassem de tiro ao alvo. Parece coisa do Oriente – médio né? Aquelas coisas que a gente vê na televisão etc.
Mas é não, é Guarapes, Natal-Rn. E não é de hoje que acontecem coisas do tipo (ou piores). Com isto não quero dizer que é normal e comum que as pessoas saiam matando umas às outras e que temos mais que nos acostumar. Não se trata disto. Leia mais »
Arquivos para categoria ‘Economia’
O caso do “Buraco da Catita”: A Volta à barbárie?
Ah o combustível – Parte [2]
Bem, no último artigo acabei tendo a indelicadeza de não explicar uma outra coisa muito curiosa no que se diz respeito ao preço dos combustíveis. Na contra-mão em relação às teorias econômicas (que afirmam que quanto maior a produção – havendo demanda – o preço tende a zero) os combustíveis apenas aumentam. Bem, na realidade este post é uma mão cheia para todos aqueles que odeiam (mas odeiam mesmo do fundo do coração – assim como eu) aqueles carros imensos sendo utilizados no meio das cidades. Meus senhores tenham noção! Não é porque você tem uma renda que lhe permite comprar um carro de R$ 150.000,00 que você tem que piorar o trânsito da cidade e aumentar o preço dos combustíveis. Daí alguém deve tá pensando: Como assim aumentar o preço dos combustíveis? Na realidade muito simples. O diesel no Brasil é subsidiado (não exatamente “pelo governo”, mas pela gasolina, o diesel é tão barato justamente pelo fato da gasolina ser tão cara) pois acreditava-se que o seu uso seria restrito à grandes máquinas, que (naturalmente) ocupar-se-iam de questões relacionadas ao abastecimento alimentar, transporte de cargas etc. e da logística da nação como um todo. Mas não, no Brasil, como todo brasileiro é um bom brasileiro ele tem que dar um jeito de usar um carro que tem o combustível subsidiado (ou seja, fazer uma pexinxa para pagar menos e dar o jeitinho brasileiro) para uso pessoal. Daí, tá ai nas ruas um monte de “caminhoneta” à diesel, com uma ruma de playboy com um “paredão” no porta-malas que além de poluir acusticamente a cidade com as músicas horríveis que costumam escutar (alguém já viu um paredão tocando musica de boa qualidade? Ao que me parece existe uma regra geral da física que explica o comportamento destas máquinas… quanto maior a potência de um paredão, pior será a qualidade da música tocada e vise-versa), ainda encarecem o valor da gasolina com seus carros à diesel. Pois bem, é isso, se alguém queria uma razão a mais para odiar paredão de som, agora tem…
Ah, só uma curiosidade: Mais uma vez a elite (pois apenas elite pode ter um carro de cento e cinquenta mil reais) fazendo suas farras e a população como um todo tendo que pagar o preço…
Enfim…
Vão votar em quem?
Ah o combustível…
Rapaz, definitivamente brasileiro é um bicho muito folgado. Aliás, não só folgado como só busca reproduzir informações que só justificam seu modo de agir. A última que tomei notícias foi o boicote aos postos da Petrobrás que me chegou por uma mensagem de email. Algumas pessoas muito inteligentes resolveram boicotar os postos BR, o objetivo disto? Fazer com que diminuam os valores dos combustíveis. Pra falar a verdade eu nunca vi uma corrente de email conversar tanta bobagem. Bem, quem regula os valores do combustíveis praticados no Brasil é a ANP (agência nacional de petróleo, portanto, tirem da cabeça que a Petrobrás é a responsável pelo preço dos combustíveis, é importante que o brasileiro entenda como funciona o próprio país). Leia mais »
Trânsito: Problema sem jeito?
Definitivamente não sei o que me irrita mais, burrice ou imobilidade. Poucas coisas me irritam tanto como o trânsito. Para minha sorte não saio de casa em horário de pico, ou saio muito cedo, antes das 6 horas, ou após às 20 horas.
Uma vez na vida tenho que pegar o trânsito na hora do rush. O fiz hoje (não por vontade) e estou aqui irritado, não pela falta de educação no trânsito, mas por existirem secretários responsáveis para dar um jeito nele e não o fazem. Gastei agora a pouco aproximadamente 30 minutos para me deslocar de Ponta Negra até Candelária (várias bicicletas me ultrapassaram, nem me surpreendo mais) e me perguntava: Por que cargas d’agua a Engenheiro Roberto Freire não é cheia de passarelas? Leia mais »
Manual para incentivo ao tráfico de drogas
Manual para incentivo ao tráfico de drogas: ou como a polícia e a legislação incentivam o narcotráfico.
Leio constantemente os artigos que saem nos jornais locais sobre “o problema da droga” na cidade de Natal. Para o meu azar, leio também outras fontes (que possuem alguns pontos a mais de QI em relação aos redatores de jornais e delegados de polícia de nosso Estado) e a partir da observação do que vem acontecendo resolvi criar este manual para o incentivo ao tráfico de drogas. Ele consiste basicamente em ensinar como aumentar a quantidade de pessoas interessadas em realizar tal prática. Trata-se de algo bastante curioso, vejamos como acontece. Leia mais »
A censura da Tribuna do Norte e o debate sobre as drogas
Em matéria publicada no dia 04 de julho de 2010, nosso famoso jornal, a “Tribuna do Norte” publica uma matéria que aborda a questão do consumo de drogas dentro da cidade de Natal e nas universidades em especial.
Sempre que se debate este assunto fico de orelha em pé, é comum confundirem problemas com “drogas” com problemas de ordem social. Explico melhor. A exemplo do que quero falar, um professor do departamento de serviço social da UFRN faz o seguinte comentário no artigo publicado na tribuna: “Ainda há muito preconceito da sociedade em relação ao usuário. Muitos acham que o consumo de drogas tem a ver com a moral da pessoa, a ética. Embora já tenha se visto que se trata de uma doença, não é encarada assim para a maior parte das pessoas, que ainda consideram um desvio de conduta”. Uma afirmação como esta pode ser interpretada de diversas formas (tendo em vista a generalidade com que se tratou o assunto). Leia mais »
Re-distribuição do ICMS
Re-distribuição do ICMS: Um exemplo da incapacidade analítica do jornalismo político local
O modo como o jornalismo local vem cobrindo a tentativa da Federação dos Municípios do RN de aprovar na assembléia legislativa a re-distribuição do ICMS, demonstra a incapacidade de grande parte destes profissionais de refletirem fora dos fáceis, mas improdutivos esquemas de análise da cobertura dos “eventos” e das “articulações” políticas.
Isto porque, ao que tudo indica, o jornalismo local, sem esquecer das devidas exceções, se restringiu a apresentar as insatisfações dos grandes municípios e como os políticos mais representativos estão se movendo no sentido de resolver o problema. A cobertura se limitou a pensar os aspectos externos da questão. Enquanto isso, a validade ou não da re-distribuição manteve-se, acredito que por pura incapacidade técnica, intocada.

