Archive for March, 2010

Jovens Poetas

Postado por David On 31 - 03 - 2010

Jovens Poetas Potiguares

“Nosso Santo Circo”

Se eu nascesse com nariz de palhaço
e falasse com boca de freira
passaria da segunda à sexta-feira
vivendo um extra-exorbitante domingo

Pintaria meu rosto inteiro de sermão
abençoaria diariamente a macacada
inventaria a oração da gargalhada
subiria no alto da mais alta cruz

faria da piada um puro hábito divino
pregaria só com hálito do bom-humor
rezaria pela fé no sorriso do louvor
aleluia ave maria cheíssima de graça

daria susto no senhor Jesus Cristo
zombaria do Deus pai todo poderoso
e deixaria o reino dos céus furioso
ao fazer da igreja nosso santo circo!

Tiago Mesquita

UM TIRO NO PÉ DO MONTENEGRO

Postado por Daniel Menezes On 21 - 03 - 2010

A estratégia do Montenegro, líder do instituto de pesquisas IBOPE, no ano passado teve o claro propósito de ajudar a campanha do Serra. Ele afirmou que a candidatura de Dilma estava fadada ao fracasso.
A alegação dele era que a taxa de rejeição dela era muito alta e que isto a invalidava enquanto candidata.
O fato é que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento em pesquisa, como é, inegavelmente, o caso do Montenegro, sabe que alta rejeição pode significar, não resistência por parte da população, mas o simples desconhecimento de quem é a candidata.
Como líder de um grande instituto de pesquisa que é, Montenegro também sabe que as doações de campanha são fortemente ditadas pelo ritmo das pesquisas. Ninguém quer patrocinar uma candidatura perdida. ´
Além disso, as pesquisas também desempenham um importante papel na configuração das alianças partidárias. Serve como um recurso cognitivo.
O Montenegro tentou, através da força que sua fala tem no campo político, invalidar os investimentos e as alianças em torno da candidatura de Dilma.
Jogou alto demais e perdeu. Teve que se retratar. Afirmou que “não entende porque disse aquilo o ano passado”.
O fato é que seu instituto se tornará ainda mais desacreditado. As suas filiações com a direita estão, a cada eleição, minando ainda mais o seu instituto.
Só lembro do slogan da campanha de Collor em 1989 – Quando Collor cai a pesquisa do Ibope não sai.

JOSÉ AGRIPINO DANDO MUNIÇÃO PARA O GOVERNO

Postado por Daniel Menezes On 20 - 03 - 2010

O Senador José Agripino só pode estar com o juízo nos pés, o que é bom para a plataforma discursiva do governo.
Levantar a discussão sobre as supostas vantagens do modelo de concessão, que regulamenta a relação entre setor público e privado na extração do petróleo brasileiro, significa defender um modelo privatista, que foi massacrado nas urnas em 2006.
O modelo de concessão será rapidamente associado as privatizações de FHC e a coisa do tipo – “Ah, José Agripino é contra ao fato de que o ‘Petróleo deve ser nosso’”.
Não é possível afirmar que o modelo de concessão é propriamente um modelo privatista. Porém, se comparado ao mecanismo de partilha, é o que mais se aproxima dele. E como sabemos que publicitários, principalmente os de campanha, não se preocupam muito com questões epistemológicas sobre a validade das afirmações, os marketeiros de Dilma terão um prato cheio.
Não diria que ele está dando munição, mas um exército inteiro para o governo.

O Senso Comum se fez Brasil

Postado por Daniel Menezes On 13 - 03 - 2010

Não é fácil pensar fora dos fáceis, mas improdutivos esquemas do senso-comum. Este conhecimento ordinário pode servir para responder as urgências apresentadas pelos mais variados contextos em que nos inserimos. No entanto, não ameaça os preconceitos. Pior! Petrifica os argumentos e impede que nos perguntemos sobre os pressupostos perceptivos que são mobilizados para explicar os pilares constitutivos de uma sociedade. Estas impressões pré-reflexivas não tematizadas embrutecem. Além disso, são um bom combustível para as relações de dominação.

Poucas preconizações encarnam tão bem estas características como aquelas que os brasileiros tem de si mesmos e das suas respectivas práticas sociais e políticas.

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Corrupção à Brasileira

Postado por David On 11 - 03 - 2010

O que faz a corrupção brasileira diferente das demais?

Pessoas desonestas sempre existiram. Em todas tribos, países ou nações. Não existe um só relato histórico onde a desonestidade não apareça em local de destaque. É assim que as estruturas funcionam, a corrupção da moral estabelecida é detestável em todos os locais. Desde antes do surgimento da escrita, os enredos míticos já denunciavam a amoralidade presente nos atos de corrupção. As punições destinadas aos corruptores da boa moral sem dúvida alguma mutam ao sabor do tempo e da cultura. Desde às primeiras leis escritas aos modernos códigos de leis, a história das punições teve local de destaque para a formação moral da população, uma espécie de poder disciplinar que visa sempre mais propriamente educar do que punir. Leia mais »

Minifúndios Improdutivos

Postado por David On 10 - 03 - 2010

Minifúndios improdutivos do saber:por uma reforma agrária nas universidades federais

Prestígio, em algumas universidades federais, é você ter uma grande sala atulhada de computadores. Nem todo mundo tem disposição (ou competência) para aprovar projetos de pesquisa e conseguir esses latifúndios pós-modernos. Resta, então, para muitos, a criação de uma “base de pesquisa” para legitimar o uso de uma “média propriedade”. Nesses “laboratórios”, orientandos privilegiados tornam-se posseiros das pequenas capitanias. Não raro, comportam-se como arrendatários. E o são, de fato. Isso porque os divinos mestres aparecem raramente nas capitanias. Leia mais »

A miséria da política

Postado por David On 5 - 03 - 2010

A miséria da política na blogosfera potiguar

Leia o trecho abaixo, publicado em um blog dedicado à vida política do Rio Grande do Norte. Comento depois.
Fábio Faria faz campanha pelo interior com o pé inchado (http://www.thaisagalvao.com.br)

E o deputado Fábio Faria está de pé inchado. Não por causa das andanças pelo interior. Foi quando saía da casa da prefeita Socorro, em Venha Ver, que ele torceu o pé. E de pé inchado, o deputado percorreu mais 4 municípios no domingo, e mais 3 ontem à noite. Sem tempo nem para calçar uma bota de gesso…” Leia mais »

Entre BMWs e Ferraris

Postado por David On 5 - 03 - 2010

Entre BMWs e Ferraris, o PT do RN escolhe correr de fusquinha na disputa por uma vaga no Senado

Como já é quase certo que o PT do Rio Grande do Norte marchará com a candidatura do Vice-Governador, Iberê Ferreira de Sousa (PSB), ao Governo do Estado, resta ao partido dar um melhor contorno à engenharia política da sua chapa para o Senado. Uma candidatura já está definida, aquela da governadora Vilma de Faria. Mas, como em outubro próximo o eleitor votará em dois candidatos ao Senado, o PT deseja que o segundo nome na chapa situacionista seja seu. E, para sermos sinceros, isso é o mínimo que se espera de um partido com a sua trajetória no estado. Mas não se trata de uma equação fácil. O jogo de forças no interior do partido não é coisa para principiante, e nem para sonhadores, herdeiros dos ideais do PT do início da década de 1980. A disputa pela vaga deve revelar “os piores instintos” dos concorrentes e seus promotores…

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Babies

Postado por Thiago Leite On 4 - 03 - 2010

Uma oportunidade para insights sobre igualdade e diferença

Está previsto para estrear em 2010 o filme Babies (Bebês), um documentário dirigido por Thomas Balmes, não muito conhecido, mas suspeito que esteja prestes a dar uma (no mínimo pequena) guinada em sua carreira cinematográfica com esse que promete ser um belo filme e que já está fazendo algum sucesso na internet.

A premissa do filme é simples e muito interessante: acompanhar o desenvolvimento de quatro bebês recém-nascidos, desde o nascimento até o primeiro aniversário; cada criança nasce e vive num lugar diferente da Terra: Ponijao é de Opuwo, na Namíbia; Mari é de Tóquio, Japão; Bayar é de Bayanchandmani, Mongólia; e Hattie é de San Francisco, EUA.

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Re-distribuição do ICMS

Postado por Daniel Menezes On 4 - 03 - 2010

Re-distribuição do ICMS: Um exemplo da incapacidade analítica do jornalismo político local

O modo como o jornalismo local vem cobrindo a tentativa da Federação dos Municípios do RN de aprovar na assembléia legislativa a re-distribuição do ICMS, demonstra a incapacidade de grande parte destes profissionais de refletirem fora dos fáceis, mas improdutivos esquemas de análise da cobertura dos “eventos” e das “articulações” políticas.

Isto porque, ao que tudo indica, o jornalismo local, sem esquecer das devidas exceções, se restringiu a apresentar as insatisfações dos grandes municípios e como os políticos mais representativos estão se movendo no sentido de resolver o problema. A cobertura se limitou a pensar os aspectos externos da questão. Enquanto isso, a validade ou não da re-distribuição manteve-se, acredito que por pura incapacidade técnica, intocada.

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