Archive for July, 2010

É possível fazer uma campanha propositiva?

Postado por Daniel Menezes On 28 - 07 - 2010

CURIOSIDADES DA PESQUISA (28/07)

Pierre Bourdieu, sociólogo francês, é quem tinha razão – esse negócio de fazer uma campanha propositiva é altamente questionável. Cada vez mais pautados pelas pesquisas qualitativas, os candidatos são forçados a expressar o que os eleitores “querem ouvir”.

Além disso, dada as condições de disputa, os concorrentes se vêem levados a tentar “colar” uma visão negativa no seu opositor a partir das impressões pré-reflexivas compartilhadas entre os eleitores. É muito mais fácil manipular preconceitos já bem arraigados do que discutir e tentar disseminar novas agendas políticas. Os manuais de marketing são as bíblias de manipulação de preconceitos (Jogando para ganhar, livro de Ney Lima Figueiredo é um bom exemplo). É a razão instrumental criando o seu contrário e nos engolindo.

UM POUCO DE HISTÓRIA

O ano passado eu disse certa vez que um erro bastante comum em pesquisas eleitorais é confundir “desconhecimento” com “rejeição”. Afirmei que o candidato Iberê, apesar de ter o mesmo nível de “rejeição” de Carlos Eduardo e estar em piores condições eleitorais do que o candidato do PDT, era “desconhecido”. O teto de Iberê era nitidamente mais alto do que o do ex-prefeito de Natal. As últimas pesquisas vêm corroborando a assertiva.

Iberê tenderá a crescer ainda mais, já que receberá os votos do vilmismo e uma pequena transferência de votos do lulismo (a transferência entre esferas diferentes [federal e estadual] tende a ser bem menor, se comparado quando há o movimento no mesmo âmbito de disputa. Fátima Bezerra quis ignorar este e outros princípios e levou uma lavada em 2008). A “estrutura” é importante, mas há outras questões também merecedoras de destaque.

No entanto, acredito que se Rosalba continuar a desenvolver um discurso de não oposição a Lula e colar a imagem de “continuísmo” em Iberê (o povo está desesperado por qualquer tipo de mudança e o grupo do senador José Agripino vem sendo mais competente para preencher tal anseio), a vitória da Rosa de Mossoró será inevitável. É apenas mais outra projeção.

Daniel Menezes – Doutorando em Ciências Sociais

METODOLOGIA DAS PESQUISAS

Postado por Daniel Menezes On 24 - 07 - 2010

Não costumo consumir os textos do jornalista Luis Nassif. Ao analisar a vida política do país, Nassif pensa a correlação de forças entre os grupos em disputa como a luta do bem contra o mal. Muito maniqueísmo para o meu gosto.
Entretanto, no texto “Metodologia das pesquisas”, ele colocou o dedo na ferida.

Vale a pena conferir.

Do portal www.luisnassif.com.br

“Diferenças de metodologia” é uma maneira eufemística de analisar a metodologia da Folha em relação ao Vox Populi, Instituto Sensus e IBOPE. Pode parecer algo como “diferença de opinião” em que cada qual tem a sua e ambas são legítimas.

Na verdade, dos quatro institutos o Datafolha é o único que utiliza a metodologia mais vulnerável.

Os outros três pegam o perfil da população brasileira montado pelo IBGE. Depois, mapeiam estados, regiões, cidades, bairros e vilas. Anotam a proporção de casas e de população que reflitam o perfil montado pelo IBGE. Como vão de casa em casa – dentro da amostragem escolhida – os resultados refletem o perfil da população eleitora.

Já o Datafolha não. Montou uma metodologia menos rigorosa, visando economizar recursos. Na verdade, a estrutura do Datafolha é cheia de gorduras. Não consegue fazer pesquisas a preços competitivos com seus rivais. Essa gordura não está na parte analítica, mas no meio, na disfunção gerencial. Para compensar essa gordura, fez economia onde não devia: dispensou especialistas e montou uma metodologia falha, visando economizar na ponta – e não no meio, como deveria ser.

Assim, em vez de montar a amostragem rigorosamente, fazendo entrevistas de casa em casa, de acordo com um perfil de entrevistados condizentes com os dados do IBGE, coloca seus pesquisadores em locais públicos, caçando pesquisados na base do olhômetro. Esse aqui tem cara de ser secundarista, este de ser classe média. Só depois de preenchidos os questionários é que vão montar o perfil dos entrevistados – que acaba quase nunca batendo com o perfil da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio)

Com isso capta movimentos errados, monta amostragens incorretas – já que a idade, condição social e educacional dependem do olhômetro e acabam não refletindo o perfil da população brasileira levantada pelo IBGE.

Agora, nem isso justifica 9 pontos de diferença. Uma das duas está profundamente errada.

“Não jogue seu filho no lixo”

Postado por Lorena On 23 - 07 - 2010

Essa é a nova campanha do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em parceria com a Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA). A justificativa da campanha se dá devido aos recorrentes fatos de abandono de recém-nascidos em vias públicas ou lugares de risco como lixeira, calçadas, dentre outros. Dessa forma, o Tribunal de Justiça e a CEJA elaboraram um folder explicativo, com uma imagem no mínimo chocante e informações de como proceder ao encaminhamento da criança indesejada para adoção. Logo, me veio a pergunta: o que é mais viável e eficaz, uma campanha desse tipo com material visual espalhado em vários pontos de grande movimento na cidade do Rio de Janeiro (ex. metrô) ou uma campanha preventiva, programas sociais, políticas públicas, meios de disseminar a informação de forma realmente eficaz para que atinja as mulheres sobre como prevenir uma gravidez indesejada? Leia mais »

POR UMA VERDADEIRA VALORIZAÇÃO DA OBRA DE CÂMARA CASCUDO

Postado por Daniel Menezes On 22 - 07 - 2010

Câmara Cascudo nos deixou um grande legado. Desenvolveu uma vasta obra que versou sobre os mais variados temas. Demonstrou grande acuidade analítica ao tentar compreender nossas especificidades culturais, históricas e sociais. No entanto, apesar de sua produção intelectual, as duas principais correntes predominantes interpretativas de seu pensamento não conseguiram, nem de longe, tangenciar as suas reais potencialidades teóricas.
A primeira escola – seguida pelo oficialato da cidade – se notabilizou e continua a se destacar por salientar as capacidades extraordinárias de Câmara Cascudo e de como é bom Natal ter um intelectual representativo no cenário nacional. Os seus interlocutores ficam restritos a uma leitura biográfica – um pouco fantasiosa, diga-se de passagem – do pensador. Leia mais »

O MUNDO OBSCURO DE BRUNO

Postado por Daniel Menezes On 17 - 07 - 2010

Do site www.luisnassif.com.br,

Por Daniel Menezes

No caso Bruno está claro que a polícia elencou uma linha de investigação e deixou de lado as outras possibilidades. Há indícios de envolvimento do macarrão com Tráfico de Drogas. Testemunhas já disseram que presenciaram brigas da vítima com o Macarrão, ameaçando-o de contar sobre o “comércio” dele, caso ele não a ajudasse a fazer o goleiro assumir a paternidade do filho.

Longe de mim querer defender o goleiro. Porém, da forma como a imprensa noticia, fica a impressão de que o goleiro é culpado e tu já se encontra esclarecido. Pelo pouco que sei, as coisas não são bem assim.

Para mim é muito estranho que uma pessoa simplesmente assassine outra porque está sendo pressionada para assumir uma criança. Há mais coisa envolvida. O Bruno mesmo conheceu a garota em festas de jogadores. Foi o Adriano quem a apresentou. Não seria interessante tentar compreender como esse mundo se processava? É preciso investigar mais…

Além disso a condenação não é tão certa assim como a imprensa, usando os seus “especialistas”, vem afirmando. Escutei de um advogado que o próprio fato da principal testemunha alterar seu relato praticamente todo dia só atrapalha a possibilidade de incriminar o goleiro. Acho que a fala do meu amigo faz sentido.

Parece que antes de chegar a uma conclusão fundamentada a polícia cria uma história e vai empreender a investigação apenas para confirmar o que ela já sabe.

Eles devem aprender algum tipo de futurologia na academia. Acho que vou fazer concurso de policial para descobrir os próximos números da megasena.

Comentário sobre o concurso da UERN

Postado por Daniel Menezes On 17 - 07 - 2010

Publico comentário de um leitor. Ele parece conhecer bem o mundo dos concursos públicos nas Universidades. Vale a pena conferir.

Esta ilegalidade, esta corrupção, esta falta de vergonha e de respeito ocorre em praticamente todas as academias, notoriamente nas locais, aqui do RN: UERN, UFRN são, nacionalmente, sinônimo de concursos docentes viciados. Os motivos são variados: cumpadrios, parentescos, interesses sexuais, cumplicidades ideológicas, politicagem (tudo por um voto!), etc. Incrível? Quem duvidar, pague para ver do que é capaz a “elite intelectual” local. Estes meus olhos drummondianamente cansados já viram muita coisa… há golpes tão ousados que beiram o surrealismo: cola na prova, sedução, favores sexuais, nudez, cantadas, cpf copiado na palma da mão, desrespeito ao edital, sorteio viciado, violação de prova, falsificação de currículo, inversão de notas por “engano”, telefonemas “inocentes” de pressão, “esquecimentos”, jogos psicológicos… e por aí vai. Mais absurdo do que tudo isto, só a inconsistência de “critérios” de avaliação nas provas didáticas. Só digo mais uma coisa: ter a coragem de contar tudo e protestar não basta. A coisa só vai melhorar quando alguém conseguir, pela via judicial e/ou parlamentar, as mudanças necessárias. Até lá, trocar conhecimentos sobre as armadilhas mais comuns ajuda a ficar esperto para não pecar por ingenuidade. Por exemplo: vc sabia que a falta de transparência e de publicização do processo, a quebra de protocolos, as comunicações apenas verbais, a “flexibilização” do edital, datas e horários, a “informalização” são fortes indícios de corrupção em concursos? Além de serem ilegalidades!!! Vc, candidato, deixe de lado a permissividade cultural e não permita que as pequenas “informalidades”, os “pecadilhos”, ocorram; o perigo mora nos detalhes, mesmo que aparentemente “inocentes”, “inofensivos”…

A UNIVERSIDADE E A PRÁTICA ESCOLAR

Postado por Daniel Menezes On 13 - 07 - 2010

Como cumprir sua função social primeva de promover o conhecimento e o cultivo de uma cultura civilizatória se a universidade não é capaz de romper com as artimanhas da vida ordinária?

A vida escolástica, se partirmos de uma conceituação iluminista do qual a universidade é em grande parte herdeira, é correntemente definida como uma prática que, pela própria autonomia que proporciona – ou em tese deveria produzir – para os seus quadros, permite ir além dos esquemas de pensamento comumente cultivados pelos membros ordinários da sociedade. Nesse sentido, a universidade deveria ser o espaço da reflexão e discussão independente das injunções sociais da vida cotidiana.

A experiência, no entanto, na UFRN não torna possível compreender o processo acadêmico desse modo. Pelo contrário, a cultura escolar do ensino fundamental e médio continua vigorando soberanamente e orientando a atividade discente e docente, na forma de reprodução e extensão de sua lógica específica aos departamentos, bibliotecas e centros de pesquisa da universidade. Leia mais »

Manual para incentivo ao tráfico de drogas

Postado por David On 5 - 07 - 2010

Manual para incentivo ao tráfico de drogas: ou como a polícia e a legislação incentivam o narcotráfico.

Leio constantemente os artigos que saem nos jornais locais sobre “o problema da droga” na cidade de Natal. Para o meu azar, leio também outras fontes (que possuem alguns pontos a mais de QI em relação aos redatores de jornais e delegados de polícia de nosso Estado) e a partir da observação do que vem acontecendo resolvi criar este manual para o incentivo ao tráfico de drogas. Ele consiste basicamente em ensinar como aumentar a quantidade de pessoas interessadas em realizar tal prática. Trata-se de algo bastante curioso, vejamos como acontece. Leia mais »

Em matéria publicada no dia 04 de julho de 2010, nosso famoso jornal, a “Tribuna do Norte” publica uma matéria que aborda a questão do consumo de drogas dentro da cidade de Natal e nas universidades em especial.
Sempre que se debate este assunto fico de orelha em pé, é comum confundirem problemas com “drogas” com problemas de ordem social. Explico melhor. A exemplo do que quero falar, um professor do departamento de serviço social da UFRN faz o seguinte comentário no artigo publicado na tribuna: “Ainda há muito preconceito da sociedade em relação ao usuário. Muitos acham que o consumo de drogas tem a ver com a moral da pessoa, a ética. Embora já tenha se visto que se trata de uma doença, não é encarada assim para a maior parte das pessoas, que ainda consideram um desvio de conduta”. Uma afirmação como esta pode ser interpretada de diversas formas (tendo em vista a generalidade com que se tratou o assunto). Leia mais »

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