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	<title>Carta Potiguar &#187; Voto Nulo</title>
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	<description>Uma alternativa crítica</description>
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		<title>Sobre o voto nulo e a questão da afirmação da passividade</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Oct 2012 14:08:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Menezes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Eduardo]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições 2012]]></category>
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		<category><![CDATA[Natal]]></category>
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		<description><![CDATA[A política se faz com senso de proporção, nos ensinou certa vez a sociólogo Max Weber. Nem sempre &#8211; ou sempre? &#8211; é factível obter exatamente aquilo que o ator almeja, o que não significa afirmar que não é possível atingir ganhos processuais e paulatinos. É o que esquece quem prega &#8220;voto nulo&#8221;. Quem defende a [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>A política se faz com senso de proporção, nos ensinou certa vez a sociólogo Max Weber. Nem sempre &#8211; ou sempre? &#8211; é factível obter exatamente aquilo que o ator almeja, o que não significa afirmar que não é possível atingir ganhos processuais e paulatinos.</p>
<p><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/passividade-1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-10945" title="passividade 1" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/passividade-1.jpg" alt="" width="258" height="196" /></a>É o que esquece quem prega &#8220;voto nulo&#8221;. Quem defende a não participação nas eleições, não leva em consideração também a diferença entre os candidatos, que nunca são exatamente iguais. Pelo contrário. Representam forças sociais e políticas distintas.</p>
<p>O caso de Natal é significativo. Em que pese a aparente semelhança, Carlos Eduardo e Hermano apresentam um conjunto de especificidades, que são significativas. Vou esquematizar algumas delas.</p>
<p><strong>Carlos Eduardo</strong></p>
<p>Coalizão de Centro Esquerda: PDT, PCdoB, PSB, PT, etc;</p>
<p>Concepções menos privatista de saúde: disse que irá acabar com a terceirização nas Unidades de Pronto Atendimento, que se mostraram perniciosas para o erário público;</p>
<p>Prometeu fortalecer o controle-verificação do sistema de transporte público, hoje nas mãos das próprias empresas que prestam o serviço;</p>
<p>Quando prefeito, implementou atividades de participação efetiva da sociedade. Exemplo: construção do premiado plano diretor e geração do orçamento participativo;</p>
<p>Enfim, tem concepções que dizem respeito a atuação mais efetiva do Estado;</p>
<p>Não fez apelo a questões morais em sua campanha.</p>
<p><strong>Hermano Morais</strong></p>
<p>Coalização de Centro Direita: PSDB, DEM, PMDB, PV, etc;</p>
<p>Acredita que parte dos serviços públicos podem ser melhor administrados pela iniciativa privada;</p>
<p>Apoiou o aumento da passagem de ônibus, por alegar que ela estava defasada;</p>
<p>É apoiado por partidos que tem histórico de uma concepção menos participativa de gestão pública;</p>
<p>Uma visão menos efetiva da atuação do Estado, por defender o papel da iniciativa privada;</p>
<p>Faz apelos explícitos a questões morais: aborto, religião, família e incorporou em sua campanha, o pastor Silas Malafaia e o líder Católico Gabriel Chalita.</p>
<p>Talvez, para quem não faz uso das ações públicas de saúde, a questão da terceirização da UPA seja algo menor, mas isso representa uma mudança tremenda na forma como o serviço será prestado para os cidadãos que utilizam a Unidade de Pronto Atendimento. Como desconsiderar tal fato?</p>
<p>Vale lembrar também que o segundo turno, com os dois candidatos postos, foi montado de modo soberano pelos eleitores de Natal. Carlos Eduardo e Hermano Morais entraram pelas urnas. Em nenhum momento, a democracia foi desrespeitada.</p>
<p>Se nossa opção perdeu, que a gente construa, dentro do cenário estabelecido, uma escolha que mais se aproxime dos nossos ideais. Democracia, em que a via eleitoral é um espaço de participação, tem de ser valorizada quando se ganha, mas, sobretudo, quando se perde.</p>
<p>Não é possível transformar a sociedade, se eximindo da política. Até porque um candidato vai ser escolhido, quer a gente queira ou não. Serão duas administrações diferentes e, dependendo de quem vença, teremos um fortalecimento da centro-direita ou da centro-esquerda, com consequências políticas futuras para o Rio Grande do Norte.</p>
<p>Desconsiderar tais fatos é como dizer: não importo quem vença, aceito ser mandado por qualquer um deles. Aceito a separação entre os politicamente ativos, que decidem o destino da cidade; e os demais politicamente passivos, que são levados a reboque. O efeito prático do voto nulo e não participação eleitoral é a afirmação da passividade.</p>
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		<title>A Miséria do &#8220;Voto Útil&#8221;: Em defesa do Voto Nulo no Segundo Turno</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Oct 2012 20:45:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alyson Freire</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Eduardo]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições Municipais Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Hermano Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[Segundo Turno]]></category>
		<category><![CDATA[Voto Nulo]]></category>
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		<description><![CDATA[No Brasil, podemos afirmar, as eleições não são mais uma novidade. Desde a Constituição de 1988, elas ocorrem num intervalo de dois e dois anos. O voto &#8211; a avaliação e a escolha dos mandatários do poder &#8211; tornou-se, portanto, uma experiência mais ou menos familiar aos brasileiros. Em outras palavras, não foi apenas ao [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>No Brasil, podemos afirmar, as eleições não são mais uma novidade. Desde a Constituição de 1988, elas ocorrem num intervalo de dois e dois anos. O voto &#8211; a avaliação e a escolha dos mandatários do poder &#8211; tornou-se, portanto, uma experiência mais ou menos familiar aos brasileiros. Em outras palavras, não foi apenas ao calendário que a experiência social e cognitiva do voto foi incorporada, mas à própria cultura política brasileira e aos esquemas mentais dos brasileiros.</p>
<p>São muitos os elementos que pesam sobre o voto. Alguns deles, inclusive, ilegítimos como a coerção do poder econômico e político, a manipulação da mídia, entre outros. De fato, como há mostrado o cientista político italiano, Giovanni Sartori, o próprio formato dos sistemas eleitorais influenciam o tipo de racionalidade e as motivações que os eleitores mobilizarão em sua decisão por este ou aquele candidato. Por exemplo, em sistemas eleitorais majoritários teríamos o predomínio do chamado “voto sincero” ao passo que o sistema proporcional estimularia mais o “voto estratégico”, portanto uma racionalidade mais calculista do que valorativa.</p>
<p>O apelo ao “voto estratégico” ou “voto útil” ganha destaque sobretudo quando as opções com maior coerência e integridade ideológica saem da disputa eleitoral ou possuem poucas chances de vitória. Não à toa que tal apelo se torna particularmente forte e candente nos segundos turnos.</p>
<p>Eis que, nas terras natalinas, a disputa entre Carlos Eduardo e Hermano Moraes coloca em tela mais uma vez a questão do “voto útil”. Da esquerda partidária aos bem pensantes, quase todos passam a evocar e coroar o “voto útil” como a melhor e única alternativa para manter-se ativo e politicamente responsável no processo. Quer dizer, em momentos decisivos como este, não caberia insistir no orgulho da ética da convicção e na intransigência dos princípios; somente a análise do cenário e o resultado importariam. Do contrário, a realidade do que se está em disputa sucumbiria ao idealismo e ao fundamentalismo dos valores últimos. Como um canto de sereia, assim proclamam os defensores do “voto útil” apelando à realidade e à razão.</p>
<p>Nesse sentido, para evitar qualquer risco de vitória de Hermano, deve-se votar, ainda que a contragosto e pensando nas mínimas diferenças, em Carlos Eduardo. Esta, em que pese as forças conservadores que estão por trás de seu nome, representa a candidatura mais “progressista” se comparado ao candidato de Garibaldi Alves. Que Wilma de Faria, e suas centenas de escândalos esteja do outro lado, ou que um “acordão” entre a “guerreira” e CEA faça mais a frente este ceder o seu lugar de prefeito à primeira para disputar as eleições de governador seriam questões menores. CEA significaria, portanto, um “mal menor” em relação à Hermano. Votar no candidato do PDT seria, na verdade, um voto contra o oportunismo, o privatismo e o fantochismo que representa Hermano.</p>
<p>Sem tirar as razões dos argumentos dirigidos contra Hermano ou desconfiar das boas intenções dos que defendem o “voto útil” ou o “apoio crítico” a CEA, há, porém, no “voto útil” algo que me incomoda profundamente. E nem é tanto o espírito do “menor dos males” que o acompanha, e que implica em nossa rendição, intelectual e política, ao um cenário mesquinho e pobre ou a superestimar diferenças mínimas.</p>
<p>Quando decidimos dar um “voto útil” em apoio ao “menos pior” o que aparece em primeiro plano é aquilo de que estaríamos supostamente tentando nos livrar; o conservadorismo, o privatismo, etc..</p>
<blockquote><p>No entanto, acaba-se por esquecer, fingir ou desconsiderar um aspecto central, o qual o cálculo eleitoral do &#8220;voto útil&#8221; escamoteia e encobre, qual seja: aquilo de que estamos abrindo mão quando nos lançamos na retórica do “voto útil”. Em primeiro lugar, “abrimos mão” das possibilidades políticas extra-cenário eleitoral, e, em segundo lugar, “abrimos mão” de uma concepção mais significativa e expressiva de política e de democracia.</p></blockquote>
<p>Vejamos. Com o empenho no “voto útil”, abdica-se, talvez muito facilmente, de uma das tarefas mais fundamentais da luta política e cultural, a qual, intelectuais públicos e militantes jamais deveriam perder de vista; a exigência de novos possíveis e o descontentamento com a realidade vigente. Esta postura crítica e inconformada frente ao tempo presente – e sua partilha do sensível &#8211; é uma das molas mestra na luta por mudanças.</p>
<p>O “voto útil”, por sua vez, é, a um só tempo, uma acomodação aos limites do possível e uma rendição à mediocridade do realismo dos pequenos resultados. Em vez de agir para multiplicar as possibilidades do questionamento político, o “voto útil” restringe-as, na medida em que constitui uma ação subordinada às opções e possibilidades reais do cenário do jogo eleitoral. Não custa lembrar, que mesmo no deserto é possível encontrar &#8211; e imaginar &#8211; oásis.</p>
<p>Por trás da ideia do “voto útil” radica, ainda, a visão do processo eleitoral, e, por que não, da democracia, como um processo prioritariamente competitivo. Nesse sentido, o voto deixa de ser a expressão de afirmação de ideais, crenças e opiniões para tornar-se, em maior medida, um mecanismo de seleção guiado pelo cálculo dos riscos e resultados envolvidos no cenário. A política é reduzida a sua dimensão calculista-eleitoral e estratégica do cenário. Todas as suas outras possibilidades e características são obscurecidas pelo imperativo da competição e da racionalidade instrumental.</p>
<p>Portanto, no “voto útil” vige o hábito de fincar o pensamento e a ação na estrita finitude das opções presentes e imediatas. À este hábito soma-se a obsessão pelo cálculo eleitoral e estratégico como motivação principal do exercício da política. Juntos, ambos acabam por nos deixar cativo ao que deveríamos enfaticamente criticar. O imperalismo da realpolitik abraça a miséria do presente&#8230;</p>
<p>Face a pequenez e escassez de nosso tempo e oferta política, em vez do cálculo eleitoral em cima do cenário, prefiro realizar a crítica do cenário político-eleitoral vigente. Decidir pela crítica, pela insubmissão reflexiva contra o imperalismo da competição eleitoral e seu realismo é uma posição, nem mais pura nem mais legítima, e, também, não menos ativa e participativa do que a do &#8220;voto útil&#8221;. Seu poder de intervenção atinge aspectos e áreas diferentes daquela que o &#8220;voto útil&#8221; busca atingir exclusivamente. Afinal, a política não se restringe a esfera eleitoral ou a esfera parlamentar, ela está envolvida na totalidade da esfera pública.</p>
<p>Neste segundo turno do pleito municipal em Natal, meu “voto nulo” significa um voto ativo contra a miséria de nosso “mercado político” e contra a concepção instrumental de política embutida na ideia do “voto útil”.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Diagnóstico das eleições natalinas em 10 lances</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Oct 2012 18:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Wagner Pinheiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Diagnóstico das eleições natalinas em 10 lances Patafísica e Simulacros políticos, o voto Dada, as baratas eleitorais e a cidade fantasma, Prefeita Amanda e algumas piadas (democráticas) “O fato de a maioria silenciosa (ou as massas) ser um referente imaginário não quer dizer que ela não existe. Isso quer dizer que não há mais representação [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: center"><span style="color: #000000"><strong><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/Nebula_by_ChaosEmeraldHunter1.png" target="_blank"><img class="alignleft size-medium wp-image-10744" style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="Nebula_by_ChaosEmeraldHunter" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/Nebula_by_ChaosEmeraldHunter1-300x203.png" width="300" height="203" /></a>Diagnóstico das eleições natalinas em 10 lances Patafísica e Simulacros políticos, o voto Dada, as baratas eleitorais e a cidade fantasma, Prefeita Amanda e algumas piadas (democráticas)</strong></span></h3>
<blockquote>
<p style="text-align: justify"><em>“O fato de a maioria silenciosa (ou as massas) ser um referente imaginário não quer dizer que ela não existe. Isso quer dizer que não há mais representação possível. As massas não são mais um referente porque não têm mais natureza representativa. Elas não se expressam, são sondadas. Elas não se refletem, são testadas.</em></p>
<p style="text-align: justify"><em>Bombardeadas de estímulos, de mensagens e de testes, as massas não são mais do que um jazigo opaco, cego, como os amontoados de gases estelares que só são conhecidos através da análise do seu espectro luminoso &#8211; espectro de radiações equivalente às estatísticas e às sondagens. Mais exatamente: não é mais possível se tratar de expressão ou de representação, mas somente de simulação de um social para sempre inexprimível e inexprimido. Esse é o sentido do seu silêncio. Mas esse silêncio é paradoxal &#8211; não é um silêncio que fala, é um silêncio que proíbe que se fale em seu nome. E, nesse sentido, longe de ser uma forma de alienação, é uma arma absoluta.</em></p>
<p style="text-align: justify"><em>Ninguém pode dizer que representa a maioria silenciosa, e esta é sua vingança.”</em></p>
<p style="text-align: right" align="right"><em> - Jean Baudrillard</em></p>
</blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h3><span style="color: #000000"><strong><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a3.jpg" target="_blank"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10729" style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="a3" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a3-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a>1.      A nebulosa vassalagem das massas natalinas como peido rasteiro no perfume francês da auto-estima &#8220;democrática&#8221; </strong></span></h3>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Numa “<strong>Ruinatown</strong>” (Fortunato-Bombaça) ainda muito longe do fim do mundo Maia(-Melo-Alves) de 2012, vemos outra vez a vingança inocente e perversa das massas para com os vírus de laboratório das &#8220;sondagens&#8221;, sempre dispostos a levá-las a dizer aquilo que nunca disseram &#8211; mas que acabam, por contaminação, dizendo -;  no entanto, essas surpresas eleitorais parecem sempre muito mais absurdas para a crônica inocência racionalista dos sociólogos, marqueteiros e candidatos, do que para o imenso mosaico do cotidiano plebeu: já que sua própria miséria lhe aparece indiferente ou definitivamente imolada e abilolada no <strong>terreno do totem efêmero e da aposta fácil</strong>, é preciso pertencer a uma linhagem imaginária, é preciso votar no candidato “amigável” que apertou sua mão, naquele que já lhe “ajudou” ou ajudará de alguma forma – entre as multidões miseráveis e atomizadas de qualquer sistema amável, o cidadão natalino, esse charmoso indivíduo moderno que ronda os sonhos da classe média, esse cidadão nunca existiu: cada vassalo em seu feudo cultiva camponesamente  a terra de seu senhor, numa espécie sinistra de lealdade que sempre se assemelha muito menos ao cinismo autocomplacente do mendigo do que ao ilusionismo utilitário da prostituta.</span></p>
<div id="attachment_10730" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a8.jpg" target="_blank"><img class="size-thumbnail wp-image-10730 " style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="a8" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a8-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">&#8220;uma barata encontrada no fundo de uma urna, em Brasília&#8221;</p></div>
<h3><span style="color: #000000"><strong>2.      A cidade das baratas oligarquistas</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Os rumores e nossos bons moços nos dizem que Ruinatown, há anos, &#8220;está entregue às baratas&#8221; – a última praga sendo de baratas de esgoto especialmente descomprometidas até com própria preservação do cadáver-mãe que devoram. No entanto, se a câmara de vereadores reelegeu muitas de suas dinastias, é porque as baratas não apenas roem a roupa do Papai Noel, como também votam – e na sua própria espécie.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">(&#8230;) digitar de olhos fechados, como um cego prestidigitador, as teclas da urna, ou tão somente digitar no campo do número do candidato, de olhos abertos, o número equivalente ao I-ching do dia – e deixar o automatismo dadaísta encaminhar seu próprio candidato cosmicamente necessário.</span></p>
</blockquote>
<h3><span style="color: #000000"><strong><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a1.jpg" target="_blank"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10731" style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="a1" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a1-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a>3.      O ato mais democrático do ano</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Decorando meu almoço, aperriada – como muitos grandes pequenos intelectuais e toda a grande pequena mídia natalina a exibi-los &#8211; em tentar desviar de última hora a obscura apatia eleitoral em votos luminosos natalinos, em convencer a apatia eleitoral  de que se tratava do “ato mais democrático do ano”, a apaixonada senhora Ilza Leão sugeria algo sobre a diferença entre os eleitores “esclarecidos” (a classe média, rica, ou acadêmica?) e o povão – discurso que nunca explicita e desenvolve totalmente sua adesão fatal ao mito de uma desvantagem cognitiva dos pobres, pano de fundo discursivo onde é a classe média acadêmica quem certamente vota com maior “lucidez”.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Sem já nenhum pudor em tornar obscenamente públicas suas manias caseiras, os titulares midiáticos da UFRN continuam confundindo escolaridade com decência, quantidade de letras com virtudes, democratismo com representacionismo.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Mil vezes mais democrático (se ainda desejamos brincar com essa palavra poli-saturada de qualquer coisa) que qualquer voto, é invadir a câmara, quebrar o nariz de um político ladrão, andar de bicicleta ou ir morar numa ecoaldeia. Cada um tem a &#8220;democracia&#8221; que pode, merece: na minha, pelo menos dependo e espero muito mais de mim mesmo do que de um mero totem animista.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify"><em>&#8220;Ninguém pode dizer que representa a maioria silenciosa, e esta é sua vingança.” &#8211; Jean Baudrillard<br />
</em></p>
</blockquote>
<h3><span style="color: #000000"><strong><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a2.jpg" target="_blank"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10732" style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="a2" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a2-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a>4.  A Para-Política como Utopia-Prótese dos incapazes de si</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Guardando a entrada do templo democrático em que cometi meu voto, dois guardiões conhecidos – velhos loucos psiquiátricos, gente folclórica do bairro. Genialmente sugestivo: algum dia, como já aconteceu com o corpo político apodrecido, o ativismo político estatal será definitivamente um assunto de desvalidos intelectuais e morais, esquizofrênicos “úteis” &#8211; ou pelo menos o terreno preferido daqueles que necessariamente fracassaram na vida íntima e deliram numa <strong>vontade de poder socialóide</strong> que jamais conseguirão consigo próprios &#8211; ? O partido político como prótese de substituição (impossível) perante o próprio fracasso no governo de si?</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">A &#8220;democracia&#8221; dos chimpanzés políticos envergonha mais a espécie que a menos tirânica das monarquias.</span></p>
</blockquote>
<h3><span style="color: #000000"><strong><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a4.jpg" target="_blank"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10733" style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="a4" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a4-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a>5.      O voto Dada</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Encarei os guardiões pitorescos do templo democrático como confirmação profética do que já estava prometido desde antes por meus velhos mestres patafísicos: e assim, para celebrar a probabilística imprevisível e caótica das eleições, para que a coerção de ser obrigado a votar (autoritariamente “convidado” para a democracia, numa indelicadeza digna de humor negro) pudesse ser transformada numa oportunidade lúdica inesquecível e a favor daquele domingo como sonho solar, enfim, para seguir o centralismo surrealista-laboratorial que a <strong>Societo Patafizica Internacia</strong> preconiza aos seus membros, caminhei até a urna eletrônica e pratiquei o que, entre nós, chamamos carinhosamente de <strong>voto Dada</strong>: digitar de olhos fechados, como um cego prestidigitador, as teclas da urna, ou tão somente digitar no campo do número do candidato, de olhos abertos, o número equivalente ao I-ching do dia – e deixar o automatismo dadaísta encaminhar seu próprio candidato cosmicamente necessário.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">A intenção do voto aleatório ou numerológico vai muito além da brincadeira: trata-se de um exercício no qual os patafísicos estudam os atratores estranhos do próprio inconsciente pessoal, através do voto revelado na escuridão – jamais “esclarecido”, portanto &#8211; : um aparente “tanto faz” dedístico do qual surgem respostas importantes.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Porque se o Estado é um cassino, o melhor a fazer quanto a ele é tirar alguma vantagem subjetiva dessa desvantagem objetiva colossal, intentando diversão em nossa própria Las Vegas barbaramente interior.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Uma máxima, sim, nos parece certa: se pouco conhecemos o futuro e a verdade íntima dos candidatos, num certo sentido tanto faz votar às cegas ou conscientemente. Os patafisicos dadaístas preferimos votar simplesmente inspirados – embora, ao contrário dos anarquistas de lógica-identidade aristotélica (a nossa é pan-focal, quântica, incoerentemente jogadora), a lógica do mau menor coletivo eleitoral não contradiga nossa vontade de bem pessoal máximo além das urnas.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">No domingo, para minha surpresa, entre as muitas probabilidades combinatórias que me levariam facilmente ao voto nulo (qualquer número descodificado para fora das senhas dos candidatos é convertido em bola fora do gol democrático), surgiu-me em tela o rosto de um candidato em que eu não votaria conscientemente: compreendi o destino daquilo e, sorrindo para ele, encerrei a séria brincadeira patafísica (a ciência dos casos singulares, avessa às leis gerais), desejando-lhe sorte e me despedindo de “Gluglu do malandro”, meu colega louco, que parecia confusamente satisfeito pelo meu gesto democrático.</span></p>
<div id="attachment_10734" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a7.jpg" target="_blank"><img class="size-thumbnail wp-image-10734 " style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="a7" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a7-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">DOMÍNIO: site do PSTU</p></div>
<h3><span style="color: #000000"><strong>6.      A massa reativa elege a vereadora mais “revolucionária” e bem votada da história</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Que, sobretudo em qualquer país hibridizado e analfabeto, as massas se magnetizam muito mais pela passionalidade e identificação-projeção egóica com o candidato do que por qualquer programa partidário (des)conhecido, até a tautologia insípida da ciência política foi obrigada a considerar muito cedo em suas equações matemáticas.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Mas que <strong>Amanda Gurgel</strong> seja a vereadora mais votada de Natal, é de uma ironia cômica de magnitude épica: não apenas o PSTU e o PSOL jamais agradariam tantas pessoas sem a impensada e irônica ajuda do Globurguês Faustão (aqui, repetidamente o PSTU tem sido muito mal votado não apenas para os cargos no Estado, como até mesmo para o DCE-UFRN, restando-lhe o governo algo tenso de alguns poucos sindicatos), como também a moça representa uma bomba fantástica a detonar qualquer esperança de coerência e profundidade ideológicas das massas, eletromagnetizadas de ultima hora pela passionalidade do ícone rebelde da convicta professora.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Claro que o campo político esquerdista tentará sempre legitimar-se no ventriloquismo de transcrever a impalpável nebulosa da massa em seu próprio otimismo de projeto político &#8211; conversão de militantes que pode acabar fazendo do PSTU em breve o novo &#8220;grande&#8221; partido natalino.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Segundo cálculos filosóficos de um estatístico amigo meu, há boas chances de que as mesmas pessoas que votaram em Amanda também tenham votado em gente como Carlos Eduardo e Hermano (?). A piada das massas natalinas é imensa?: colocar velhos oligarcas e novos agitadores comunistas juntos no mesmo Estado é de uma perversidade excitante.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Qualquer coisa realmente nova e entusiasmante na política estatal natalina necessariamente sairá dessa zona de fricção erógena.</span></p>
<h3><span style="color: #000000"><strong><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a5.jpg" target="_blank"><img class="alignleft  wp-image-10735" style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="a5" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/a5-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a>7.      Nulismo e branquismo como niilismo de desistência de uma cidade fantasma</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Se o número de votos nulos e brancos foi mesmo tão baixo quanto se diz (e, caso ele tenha sido até mais alto, será que nos seria possível saber?), ele ainda é suficientemente alto não apenas para que nos fartemos no entediante truísmo de que a política anda desencantada e de que as pessoas enfim se despediram de influenciar institucionalmente sua própria cidade (desistências que já pertencem ao terreno perceptivo do jardim de infância sociológico); é preciso ir além, é preciso iniciar uma <strong>epidêmica sondagem clandestina</strong>: é preciso perguntar-se quantos desses <strong>nulistas e branquistas natalinos</strong> organizam democracias diretas ou qualquer outra coisa parecida, para além de suas residências, bares e confessionários facebooketeanos.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Por que se está claro que há tantos negadores do sistema representativo, sua negação coletiva da “política” pressupõe alguma mancha de gregarismo organizativo, ou não ultrapassa o atomismo negativo da vida privada e tantas masturbações digitais mútuas via tela? Mais curioso que confiar a vida citadina a um político, é confiar a cidade, o bairro, seus queridos e as próprias coisas públicas que se usa, a ninguém – sequer a si mesmo. Isso sim é um <strong>fenômeno extremo fantástico</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Mas esqueçam a esperança de que o espetáculo simulador absorva e deixe transparecer os registros de clientes descontentes: a mensagem de protesto nulista-branquista há muito tempo tem sido desconsiderada pela ouvidoria; a insubmissão às eleições tem sido simulada, na tela total, como um ruído de fundo, jamais como o <strong>acorde dissonante no meio da canção republicana</strong> que de fato é – há séculos que a maior parte dos plebeus amaldiçoa seus senhores, mas jamais sistema político algum foi planejadamente derrubado pelas massas, sempre silenciosas e precipitadas apenas no último momento, na hora de degolar os reis.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Dá o bom dedo (não é o dedo úrnico indicador) à disputa eleitoral, sem cultivar um plano a ou b de alternativa política imediata além do Estado: uma canção sem plateia tocada por solistas sem banda &#8211; flutuação no próprio vazio do indivíduo atomizado que comprova outra vez certa neutralidade indiferente da massa até para com a própria política vital e útil.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Mais surpreendente e estranho que reeleger gente que organiza forrós e organiza pamonhas, é condenar a cidade à nossa própria ausência, fazê-la refém de nossa ilusão de ego desconectado das engrenagens sociais, para enfim flutuar, orgulhoso de si, sobre uma cidade fantasma  – vontade de apocalipse que só faz sentido quando a indiferença pela cidade e sua gente é bem maior que qualquer amor pelos pares: <strong>necro-individualismo.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">A diferença prática entre a abstinência indolente e os que votam nos piores dentre os ruins, é que estes últimos eleitores são gente muito mais inteligentemente egoísta: desde o momento em que já se caminha na lama, barganhar dentaduras ou 20 reais é muito menos patético que ser &#8220;higienica&#8221; e &#8220;assepticamente&#8221; <strong>anarco-solipsista, nulo-cúmplice ou branquista-inercial </strong> daqueles que ajudam a manter os serviços, salários e hospitais como estão, na medida em que se abandonou até o bom humor da aposta em nome de uma convicção ou puritanismo hipócrita cuja convicção absoluta quase nunca se torna tão reta e íntegra ao ponto de criar pelo menos centenas de opções coletivas concretas ao sistema que atualmente nos imergiu.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Se alguém não tenta se autonomizar o máximo possível desse sistema, enquanto não vota em ninguém, é por que nem a lógica do “mal menor” coletivo já lhe interessa: está bem satisfeito com sua própria satisfação privada – máxima do <strong>egocentrismo-autista &#8220;apolítico&#8221;</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Claro que os bárbaros mais eleitonautas podem simplesmente abdicar de votar em candidatos, sem que isso signifique qualquer esforço por um cotidiano de soberania real e direta – é mesmo isso que parece acontecer no mundo inteiro.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Só ainda resta compreender como a <strong>lógica do mal menor</strong> pode ofender tanto o paladar moral de quem já é, para muito além do jogo institucional, em muitos sentidos possíveis (artísticos, intelectuais, comportamentais, etc.), politicamente semi-inútil, morto. Parece ser o velho que-se-foda-o-mundo, eternamente reeditado &#8211; os monges pelo menos faziam algo mais consequentemente bom, coerente e realmente sagrado quando mandavam o &#8220;mundano&#8221; à mer&#8230;</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Claro que o campo político esquerdista tentará sempre legitimar-se no ventriloquismo de transcrever a impalpável nebulosa da massa em seu próprio otimismo de projeto político &#8211; conversão de militantes que pode acabar fazendo do PSTU em breve o novo &#8220;grande&#8221; partido natalino.</span></p>
</blockquote>
<p><span style="color: #000000"> </span></p>
<h3><span style="color: #000000"><strong><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/181176_397671580299690_413849688_n.jpg" target="_blank"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10736" style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="181176_397671580299690_413849688_n" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/181176_397671580299690_413849688_n-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a>8.      Natown permanece um bom negócio, um negócio de família</strong></span></h3>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000"><strong>Carlos Morais ou Hermano Eduardo</strong> <strong>Para-Pré-feito</strong>? &#8211; lá se afiam as mesmas facas e aqui se preparam os mesmos escudos. Demos outro passo atrás diante da oportunidade de deixar o feudalismo capitalista brutal e virar, com Mineiro ou Robério, pelo menos uma <strong>proto-república moderna pós-SETURNiana</strong>? – aposta razoável.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Mas parte do PT preferiu usar Mineiro apenas como desvio de voto (fortalecer Eduardo) e limpeza de terreno para Fátima -  ser espantalho político ou &#8220;abridor&#8221; de terreno baldio eleitoral foi um destino lamentável para o pré-feitável mais &#8220;técnico&#8221; e &#8220;intelectualizado&#8221; da cidade.</span></p>
<p><span style="color: #000000"><strong><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/foro-de-sao-paulo.png" target="_blank"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10737" style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="foro-de-sao-paulo" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/foro-de-sao-paulo-150x150.png" width="150" height="150" /></a>9.      <em>Fútil</em>bolismo político</strong></span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Nem a esquerda, nem a classe média “esclarecida”, muito menos os anal-istas políticos a almoçar o próprio rabo infinitamente preso, entendem bem o que mantem a vassalagem eleitoral funcionando: não são tanto os últimos presentinhos dados aos Zés e Marias, sequer a rede social de trocas e lealdade a funcionar ao longo dos anos sob a corrupção das promessas e “favores” através da máquina política; nada disso garante “o grosso” da re-produção mágica do miraculoso ato de lealdade eleitoral.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">É o <strong>totemismo metafísico </strong>efêmero e gregarista de tipo fraco (portanto nem primitivo nem arquetípico), enquanto orgulho patético que tantos plebeus sentem de pertencer à equipe campeã, ao macaco alfa, aquilo que explica a &#8220;irracional&#8221; vassalagem-fusão do ego-vassalo ao <strong>ego-totem</strong>, aproximando a política muito mais do lado obscuro e insano das torcidas e arenas de futebol – e portanto dos chimpanzés &#8211; do que qualquer atividade humana da qual se possa cobrar a mínima sabedoria e serenidade.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">A &#8220;democracia&#8221; dos chimpanzés políticos envergonha mais a espécie que a menos tirânica das monarquias.</span></p>
<h3><span style="color: #000000"><strong><a href="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/abstract_paintings_fields_head_town_1600x1200_wallpaper_Wallpaper_1280x800_www.wallpaperhi.com_.jpg" target="_blank"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10738" style="margin-left: 0px;margin-right: 15px" title="abstract_paintings_fields_head_town_1600x1200_wallpaper_Wallpaper_1280x800_www.wallpaperhi.com" alt="" src="http://www.cartapotiguar.com.br/wp-content/uploads/2012/10/abstract_paintings_fields_head_town_1600x1200_wallpaper_Wallpaper_1280x800_www.wallpaperhi.com_-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a>10.</strong> Para acabar na elegância acadêmica de um prognóstico, uma<strong> adivinhação-aposta científica</strong>: </span></h3>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Segundo o Centro de Estudos Ocultos Patafísicos (CEOP), <strong>Amanda Gurgel</strong> já será prefeita de Natal (depende sobretudo dela: muitas forças cruciais já carregam seu pequeno corpo ao futuro trono). Resta saber como sua braveza e rebeldia pop se configurarão com a ausência de ideologia esquerdista das massas que a eleger(ão)m e também com a própria máquina leninista-trotskista na qual opera: articularão uma nova constelação política singular ou se destruirão mutuamente, via <em>non sense</em> ideológico?</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Nenhum canal de TV desejou reconhecer publicamente a ameaçante vitória amandista (Faustão jamais a convidará novamente?); a guerra semiótica já iniciada&#8230; apenas se ampliará a outros domínios &#8211; embora hoje em dia seja bem mais fácil e lucrativo cometer <strong>midiacídio</strong>, assassinato simbólico, que qualquer violência menos &#8220;democrática&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Ruinatown vê nascer de seus escombros ideológicos um <strong>novo ciclo político</strong>, dessa vez imprevisível. No futuro, o “povo” permitirá de bom grado que uma esquerdista “revolucionária” governe a cidade, embora tenda a deixar a princesa cercada e encurralada por seus dragões “assassinos”&#8230;</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Se alguém não tenta se autonomizar o máximo possível desse sistema, enquanto não vota em ninguém, é por que nem a lógica do “mal menor” coletivo já lhe interessa: está bem satisfeito com sua própria satisfação privada – máxima do <strong>egocentrismo-autista &#8220;apolítico&#8221;</strong>.</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">Ora, independentemente do “olho cego” de são Marx (Xavier Reivax), é claro que a <strong>reação em cadeia e ultra-moderna na qual um velho cavalo de Tróia socialista</strong> conquistou, via celebridade midiática, a praça pública natalina &#8211; ou pelo menos o circuito hiper-&#8221;real&#8221; das telas e redes virtuais -, é de uma espirituosidade diabólica e luminosa&#8230; de uma polaridade potencial tão violentamente ideológica, que será capaz até mesmo de nos devolver o verdadeiro jogo vertiginoso no cassino natalino&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="color: #000000">&#8230;No buraco negro das massas, à espreita, o abismo do político.</span></p>
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		<title>Em Defesa do Voto Nulo e Facultativo</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jun 2012 12:20:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felix Maranganha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Direito Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Voto Facultativo]]></category>
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		<description><![CDATA[Quando a Grécia resolveu-se pela República Democrática como um modelo de governo perfeito não imaginava que a própria Democracia viria a se desenvolver até o nível em que se encontra hoje. Porém, estranhamente, são os países monárquicos que hoje são os mais libertários (Inglaterra, Dinamarca, Suécia etc.) e os democráticos vez por outra caem em [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Quando a Grécia resolveu-se pela República Democrática como um modelo de governo perfeito não imaginava que a própria Democracia viria a se desenvolver até o nível em que se encontra hoje. Porém, estranhamente, são os países monárquicos que hoje são os mais libertários (Inglaterra, Dinamarca, Suécia etc.) e os democráticos vez por outra caem em pequenas versões de ditaduras locais e, quando damos sorte, breves. A Grécia entendia a Democracia como um governo em que o povo não só participada, como também decidia sobre questões relativas à cidade, ou seja, era um governo promovido pelos cidadãos. O problema da Grécia (e acredito que de hoje também) é o alcance conceitual do termo &#8220;cidadão&#8221;. Se entendermos a cidadania como algo recluso a determinados grupos, então a Democracia seria uma microversão da Oligarquia. Na Grécia, votavam apenas homens gregos livres, ou seja, qualquer mulher, estrangeiro ou escravo estaria excluído de todo o processo.</p>
<p style="text-align: justify;">A Democracia enquanto princípio é bastante próxima da Anarquia pensada por Bakunin. Apesar de a Anarquia Bakuniniana exigir a presença cada vez menor do Estado e um coletivismo extremo, o que fomentaria a responsabilidade individual frente à coletividade, sua concepção libertária permite uma sociedade centrada nas decisões individuais, que só é possível se a sociedade se organizar a partir de sua base. Bakunin considerava a base os grupos diretamente ligados aos meios de produção, mas hoje podemos entender o indivíduo como sua verdadeira base. E como se faz isso? Pela Democracia. Tudo se resolve pelo pleito, seja na teoria bakuniniana, seja na concepção de Democracia dos gregos. Apesar de bastante similares, elas duas apresentam uma brecha: aquilo que é direito de voto de todos pode se transformar em &#8220;ditadura da maioria&#8221;.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">O que dá à maioria o direito de decidir o que acha que é melhor para a minoria? Que direito 190 milhões de brasileiros têm que lhes garanta decidir no lugar de 10 milhões que estes não podem fazer mal à própria saúde do seu próprio modo e só possam fazer do modo majoritário, e assim iniciar uma campanha Antidrogas? Essa é a falha na própria Democracia, que se evidencia ainda mais em problemas como o direito de voto no Brasil.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Lembremos que o voto é um direito garantido por lei e apregoado como livre, secreto e intransferível. Isso é bom, e deve continuar assim. Desconsideremos por um instante os inúmeros casos de curralismo eleitoral, cabresto partidário e o coronelismo que nos inunda o Oiapoque ao Chuí. Compreendamos precisamente a noção básica de &#8220;Direito&#8221;, para daí compreendermos em que consiste o fato de que o voto é um direito do cidadão.</p>
<p style="text-align: justify;">Como não fiz direito, só posso falar pela Filosofia. O Direito é todo aspecto abstrato dado em uma sociedade a entidades individuais (empresas, cidadãos, pessoas etc.) que não é obrigatório a essas entidades, mas é permitido a elas caso queiram usufruí-lo e tenham condições para tal. Quando a lei me garante o direito à moradia, não significa que eu seja obrigado a comprar uma casa, e nem que eu tenha condições imediatas de usufruir desse direito, mas apenas que me é permitido, se assim eu o desejar e puder, comprar uma casa.</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma Democracia Limitada, isso significa que, se o voto é obrigatório, o não-voto é proibido (não é permitido). Em uma Democracia Plena, se não é proibido não votar, então o voto não é proibido e é permitido. Em uma Ditadura Declarada, é obrigatório não votar, o que significa que o voto é proibido e não permitido. Uma Ditadura pode, às vezes, assumir uma forma semelhante à Democracia Limitada. A saída democrática plena seria, portanto, não obrigar ao voto, nem proibir o não-voto, mas permitir tanto o voto quanto o não voto. Enfim, se o Voto for facultativo, então sua execução ou não tornam-se igualmente permissíveis, e nenhuma das duas sofrerá sanção, e se em um pleito todas as formas de relação democráticas humanas possíveis forem permitidas então será democrático inclusive o direito de anulação do próprio pleito ou será facultativa sua participação.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso tudo, claro, no meu mundo dos sonhos, a que o próprio Código Eleitoral Brasileiro (Lei nº 4.737, Artigo 224) deu esperanças:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do estado nas eleições federais e estaduais, ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações, e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">mas o Acórdão nº 13.185/92 do TSE ajudou a desesperançar:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">O art. 77 da Constituição Federal, ao definir a maioria absoluta, trata de estabelecer critério para a proclamação do eleito, no primeiro turno das eleições majoritárias a ela sujeitas. Mas, é óbvio, não se cogita de proclamação de resultado eleitoral antes de verificada a validade das eleições.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">O critério, claro, é a validação do voto. Porém, o TSE classifica como válidos todos os votos efetivados nas eleições, após descontadas outras categorias de votos (nulos, brancos, duplos etc.). Se 90% da população anular seu voto, apesar de o artigo 244 do CEB dizer uma coisa, o acórdão 13.185 do TSE dirá outra coisa, e as eleições serão decididas apenas pelos 10% de votos válidos restantes do pleito. A eleição não será anulada, e novos candidatos não serão apresentados. No fim, sem legitimação nenhuma, com mais de 51% dos votos de apenas 10% dos eleitores, teremos um candidato vencedor.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual a legitimidade dessa decisão, tomada em um pleito sem quorum? Aliás, que Democracia fajuta é esta em que vivemos que cria-se um mecanismo para invalidar uma decisão do próprio povo, que pode estar insatisfeito com todas as propostas lançadas pelos partidos? Se o Poder Judiciário está totalmente fora do controle popular, se os candidatos lançados pelos partidos não passam pelo crivo do povo, se as propostas gerais para o governo não são plenamente divulgadas e se os presidentes de Tribunais de Contas e de Comissões de Ética nem mesmo são votados por nós, cidadãos, onde está a Democracia? É governo do povo ficar refém de poucas opções, em um espaço limitado, e tendo suas ações populares e atitudes diante do próprio pleito invalidados pela própria lei? Não, não é. Se a Democracia fosse plena, todos os representantes de todos os poderes do Estado passariam pelo crivo popular. Há Democracia em um país em que você é obrigado a votar, seu voto nulo não é válido e seu poder de controle e decisão sobre quem você votou é reduzido a quase zero? Não, não há. A Democracia preconiza, devido à sua própria natureza, o direito de escolha centrado no indivíduo. Você não deveria votar em alguém porque ele defende seu grupo, mas porque ele vai administrar um bem (o Estado) cuja posse você compartilha com todos os demais cidadãos, inclusive os pertencentes a outros grupos.</p>
<p style="text-align: justify;">Democracia plena e participativa, portanto, se definiria como aquela em que não há legitimidade em decisões votadas sem quorum, em que o povo pode invalidar a própria eleição se não estiver satisfeito com os candidatos, em que as propostas dos partidos e os próprios candidatos são escolhidos pelo próprio povo, em que um desembargador e um presidente de Tribunal de Contas são escolhidos por voto popular, em que membros de Comissões de Ética são votados nas urnas, em que um indivíduo pode se abster da votação se assim o desejar, em que os interesses do indivíduo salta direto para os interesses do Estado sem precisar de interesses intermediários de grupos.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando entendermos que Direito e Obrigação são duas coisas distintas, e que o voto é uma conquista, e não uma imposição, compreenderemos realmente o que é uma Democracia. Logo, para que não transformemos a Ditadura (de maioria ou de minoria) em uma derivação da própria Democracia, temos de cuidar para que a decisão do povo seja respeitada EM TODA A SUA PLENITUDE, permitindo a livre abstenção de quem assim o decidir. A obrigatoriedade de participação nega o próprio princípio libertário da Democracia.</p>
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