Arquivos para categoria ‘Política’

A teoria das janelas quebradas

Postado por David On 4 - 09 - 2010

Tava lendo por ai e dei de cara com esse artigo muito bacana que trata justamente do tema da violência. Assim sendo, segue para divulgação. Tudo bem, saiu na Folha de São Paulo (jornal tido como conservador), mas vá lá, eles acertam as vezes. Realmente vale a pena dar uma lida, e não confundam o grafite ao qual refere-se com aquele que entendemos (o termo grafite é utilizado no sentido de pichação e vandalismo, o tipico “Torcida Fovem Fla” ou “Gang Alvinegra” ou “Máfia” e semelhantes) como manifestação artística.

JANELAS QUEBRADAS
Desordem e sujeira mais do que duplicam o número dos que jogam lixo na sarjeta e roubam
DRAUZIO VARELLA

A deterioração da paisagem urbana é lida como ausência dos poderes públicos, portanto enfraquece os controles impostos pela comunidade, aumenta a insegurança coletiva e convida à prática de crimes.
Essa tese, defendida pela primeira vez em 1982 pelos americanos James Wilson e George Kelling, recebeu o nome de “teoria das janelas quebradas”.
Segundo ela, a presença de lixo nas ruas e de grafite sujo nas paredes provoca mais desordem, induz ao vandalismo e aos pequenos crimes. Com base nesses ideias, a cidade de Nova York iniciou, nos anos 1990, uma campanha para remover os grafites do metrô, que resultou numa diminuição dos crimes realizados em suas dependências.
O sucesso da iniciativa serviu de base para a política de “tolerância zero” posta em prática a seguir
Medidas semelhantes foram adotadas em diversas cidades dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Holanda, da Indonésia e da África do Sul. Mas, apesar da popularidade, a teoria das janelas quebradas gerou controvérsias nos meios acadêmicos, por falta de dados empíricos capazes de comprová-la. Leia mais »

O caso do “Buraco da Catita”: A Volta à barbárie?

Postado por David On 4 - 09 - 2010

É, eu quase sempre vou ao chorinho. Não gosto da musica pra falar a verdade (é, dizem que é boa, mas não sou do tipo de fingido pra dizer que gosto do que não gosto pra me passar por cult, não gosto nem de chorinho nem de Chico Buarque etc.), freqüento mais para ver bons amigos, é incrível a quantidade de pessoas incríveis por metro quadrado que reúnem-se habitualmente no local. Bem, mas não é disto que ia falar.
Ocorre que, como muitos devem ter tomado conhecimento, o pacífico ambiente do Buraco da Catita foi assolado pelo mal da violência urbana. Duas pessoas foram assassinadas e uma outra saiu ferida. Assim que vi a notícia também fiquei chocado, estou ali quase toda Sexta-Feira, poderia ter sido comigo ou com algum ente querido. Não o foi. Passado o lado emotivo, voltamos a raciocinar com clareza.
Estava lendo as notícias e os comentários (obviamente a parte mais interessante) e o que mais aparecia era a idéia de que nós estaríamos “voltando à barbárie”. A primeira pergunta que se me veio à cabeça foi: Nós quem? Quem está voltando à barbárie? Perguntam-se: O que estaria acontecendo?
Voltei a relembrar de textos que li a respeito da barbárie e dos casos que tomei conhecimento como, por exemplo, um rapaz ter os olhos perfurados, após isto ser colocado em cima de um cavalo para que seus carrascos brincassem de tiro ao alvo. Parece coisa do Oriente – médio né? Aquelas coisas que a gente vê na televisão etc.
Mas é não, é Guarapes, Natal-Rn. E não é de hoje que acontecem coisas do tipo (ou piores). Com isto não quero dizer que é normal e comum que as pessoas saiam matando umas às outras e que temos mais que nos acostumar. Não se trata disto. Leia mais »

Nicolelis e o pontapé inicial da Copa

Postado por David On 2 - 09 - 2010


Para aqueles que não o conhecem, Miguel Nicolelis é um dos maiores neuro-cientistas do mundo e trabalha em um centro de tecnologia em Macaíba (com recursos trazidos por ele mesmo, claro), onde desenvolve projetos pioneiros na área de interação homem-máquina.

Nicolelis e o pontapé inicial da Copa
por Luiz Carlos Azenha

Além de ser um cientista brilhante, o paulista Miguel Nicolelis é uma figura rara. Palmeirense doente, aparentemente ele vai trabalhar para um pontapé inicial muito especial na Copa de 2014.

Já o entrevistei algumas vezes, nos tempos da Globo. Outro dia, ouvia a rádio CBN quando o Nicolelis foi entrevistado. A entrevistadora fez o diabo para ele falar mal das pesquisas científicas no governo Lula e ele… nada.

Mal sabia a entrevistadora que o cientista é fã de Lula e que, talvez por ter morado tantos anos nos Estados Unidos, tem um senso de patriotismo extraordinário. Na entrevista disse, sim, que a Ciência no Brasil ainda não tem a prioridade que merece, mas fez questão de ressaltar a qualidade dos cientistas e pesquisadores brasileiros, que fazem muito com pouco. Leia mais »

O ùltimo urro dos conservadores – Parte 2

Postado por David On 1 - 09 - 2010

O fato é que os índices de violência começam a despencar justamente quando a primeira geração pós-ditadura completa seu primeiro aniversário…
Para se ter uma idéia, em fevereiro deste ano registrou-se o menor índice de homicídios no Rio de Janeiro nos últimos 30 anos. É isso mesmo pessoal, quando achamos que hoje em dia está pior apenas descubrimos que antes era um horror e não tinhamos tal informação.
Obviamente existem muitas variáveis que podem desaguar no campo da violência. É de se levar em consideração que, além da diminuição do número de homicídios por habitantes outro fato curioso surgiu: Apesar do número de homicídios ter caído, o número de homicídios por armas de fogo aumentou drasticamente, o que redunda em dizer que o acesso à armas de fogo está bem mais fácil nos últimos tempos… Isto a princípio poderia até parecer ruim, mas na prática é bom. Este dado nos demonstra que mesmo possuindo uma “potencialidade maior para acontecer” (entende-se que a arma de fogo facilita o homicídio pois trata-se de uma ferramenta muito eficiente, o que não é bem o caso das armas brancas, onde a frieza para se matar alguém, via de regra, tende a ser maior, tanto é que a legislação pune mais severamente crimes realizados com armas brancas, pois julga-se necessária uma frieza maior para cometer o crime), ainda assim a violência não se efetivou como antes, pois se assim o fosse… somando-se a facilidade de adquirir armas mais uma população violenta, teríamos como resultado um aumento no número de homicídios, fato que não ocorreu. Vocês devem estar pensando: Mas como os homicídios podem ter diminuído se todo ano eu vejo que as taxas só aumentam? Bem, essa é uma questão tipicamente metodológica. Geralmente o que se passa na televisão ou meios de comunicação são os homicídios por ano, o que pode vir a falsear os dados, tendo em vista que, se uma população aumenta é de se esperar que os homicídios também aumentem. Assim sendo, o correto é fazer uma análise comparada como se costuma fazer em muitos casos que é comparar a taxa de homicídio à cada 100mil habitantes. Considerando-se esta relação os homicídios no Brasil passam a despencar em 2003 de uma forma tal que, em 2007 a taxa de homicídios já era inferior à 1997 (25,2 para cada 100mil no primeiro e 25,4 para cada 100mil no segundo). Leia mais »

O último urro dos conservadores – Parte 1

Postado por David On 1 - 09 - 2010

Agora, mais do que nunca, os conservadores estão com a corda no pescoço. Nunca gostei da idéia de que “nada muda (ou mudou)” ou de que “no meu tempo as coisas não eram assim”. Esses dois argumentos particularmente me irritam. Tratam-se nitidamente de cinismo ou má fé. Em um único caso eu ainda dava o braço à torcer. As questões relacionadas à violência e segurança pública.
Ao que todos falam – logo daí minha suspeita, pois só conheço consenso em 2 locais: igrejas e quartéis e não gosto de ambos – “antigamente” (leia-se na época da ditadura) as coisas não eram assim, a violência não era tão grande e blá-blá-blá e essas coisas todas que de tanto nos falarem acabamos acreditando. Mais por repetição do que por convencimento, deixe-se claro. Eis que surge a Ciência para iluminar as lembranças dos homens, estas que são falhas por natureza.
Em estudo publicado recentemente, dados apontam que existiu de fato uma aceleração da criminalidade no Brasil (a pesquisa aponta dados referentes aos anos de 1997 até o ano de 2007). Os dados apontam um crescimento da criminalidade até o ano de 2003, após isto, observa-se “uma inédita tendência de declínio” (são exatamente essas as palavras usadas, para ir ao documento clicar aqui). Leia mais »

Pedagonia: retrato malfadado da Casa do Estudante

Postado por David On 1 - 09 - 2010

“Vais encontrar o mundo”. Este é o aviso que o personagem Sérgio recebe do pai e, que dá início à obra prima de Raul Pompéia, O Ateneu. Talvez não seja com a mesma frase que os pais da atualidade se despedem dos filhos que seguem para a “Casa do Estudante” de Natal, uma espécie de “O Ateneu” mambembe, instituição filantrópica que já passou por inúmeras delendas. Quem visita o local percebe rapidamente o revés “para sempre” do lugar. As falhas estruturais atendem por um nome específico: infiltração.

No prédio tombado como patrimônio histórico em 1993, os vazamentos tomam conta de praticamente tudo. As goteiras estão espalhadas por salas, banheiros e cozinha. No salão de estudos, as goteiras já comprometeram a iluminação do espaço. Metade da sala tem condições de uso. No restante do ambiente, além do mofo já aparente nas paredes, o chão está cheio de água. Lá, os estudantes precisam aproveitar o “banho de sol”. Explico. Pela falta de luz artificial, os estudantes estudam se aproximando ao máximo das janelas. Se “aluno” significa “sem luz” em latim, então nada mais justo. Leia mais »

Ocorreu semana passada a devolutiva e resultados da pesquisa “Escola sem Homofobia” (desenvolvida pela ONG Pathfinder do Brasil e Reprolatina) que ocorreu em 11 capitais brasileiras, entre elas Natal, durante o ano de 2009. Vale lembrar que todas as autoridades de educação do Estado foram oficialmente convocadas através de ofícios mais de 10 dias antes da devolutiva e mesmo assim todas as autoridades (secretários estaduais, municipais etc) relacionadas a educação tinham algum assunto mais importante para tratar…
Como o material ainda não está disponível em versões digitais, fica artigo relacionado que chegou às mesmas conclusões… É isso!

Pesquisa revela que 87% da comunidade escolar têm preconceito contra homossexuais
Agência Brasil

Nas escolas públicas brasileiras, 87% da comunidade -sejam alunos, pais, professores ou servidores –têm algum grau de preconceito contra homossexuais. O dado faz parte de pesquisa divulgada recentemente pela FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo) e revela um problema que estudantes e educadores homossexuais, bissexuais e travestis enfrentam diariamente nas escolas: a homofobia.

O levantamento foi realizado com base em entrevistas feitas com 18,5 mil alunos, pais, professores, diretores e funcionários, de 501 unidades de ensino de todo o país.

“A violência dura, relacionada a armas, gangues e brigas, é visível. Já o preconceito a escola tem muita dificuldade de perceber porque não existe diálogo. Isso é empurrado para debaixo do tapete, o que impera é a lei é a do silêncio”, destaca a socióloga e especialista em educação e violência, Miriam Abromovay. Leia mais »

Há uma velha máxima segunda a qual podemos medir o grau de “civilização” de uma sociedade pelo tratamento que esta dispensa aos seus encarcerados. Poder-se-ia, acredito, afirmar o mesmo com relação ao tratamento dado aos professores. Sob esse ponto de vista, continuamos distante, bem distante, e numa posição particularmente difícil de qualquer ideal de civilidade e civilização.
Tal estado não é uma surpresa. Já há algumas longas décadas que a educação em nosso país não é um valor em si, nem para o Estado, nem para a sociedade. Ela não é um meio para algum fim coletivo, um projeto de país, de sociedade democrática, progressista, cultivada. Para uns, a educação é um meio para fins privados de status social e profissional; meio para garantir bons salários e empregos estáveis e estimados. A educação, a escola e a universidade, é qualquer coisa como que um obstáculo a ser superado para adquirir algum estilo de vida e emprego cobiçados, socialmente invejados e valorizados. Para o Estado, a educação é qualquer coisa por meio da qual se incrementa as estatísticas do país. É, novamente, um meio para barganhas políticas por meio da divulgação de rankings e cumprimento de metas. Quando muito, a educação é para alguns setores do Estado e do empresariado brasileiro algo no qual é preciso intervir, “modernizar”, para torná-la eficiente para fins que não são os da educação por si, mas antes, fins ligados à produção, ao lucro e a formação de obra qualificada Leia mais »

Sobre as pesquisas estaduais e nacionais

Postado por Daniel Menezes On 26 - 08 - 2010

O instituto Sensus e o Vox Populi estão batendo um bolão nessas eleições. Enquanto o Montenegro – presidente do Ibope – anunciou vitória antecipada do Serra, Sensus e Vox Populi, através de inúmeras simulações, conseguiram antecipar a virada de Dilma. Agora arriscam um palpite ainda mais ousado – afirmam enfaticamente que Dilma vai levar ainda no primeiro turno.
Enquanto isso, o datafolha segurou o resultado favorável a Serra até quando foi possível. De uma outra para outra, em apenas uma semana, o datafolha noticiou um aumento de 17%! para Dilma. Algo inimaginável. Parece até que o eleitor brasileiro muda de opinião como troca de roupa. Na verdade o instituto se viu obrigado a repor a verdade.
No RN é que a coisa tá pegando. Os institutos apresentam dados que se diferenciam em mais de 15%! Algo não bate e alguém está enviesando as pesquisas. Essa diferença se torna ainda mais inverídica, na medida em esta diferença tende a ser menor quando as sondagens são continumante refeitas. A possibilidade de cair fora da margem de erro, traindo o intervalo de confiança se torna menos significativa.
O que pode-se perceber é que há instituto enviesando a constituição da amostra para beneficiar o seu contratante. O movimento é simples: a empresa de pesquisa contratada super valoriza a quantidade de questionários aplicados numa região ou numa classe social aonde o seu candidato tem maior densidade eleitoral.
Dizem que se um instituto bastante famoso publicar mais trÊs pesquisas, um determinado candidato ao governo do estado assume a liderança e, se brincar, ainda ganha no primeiro turno. Faz sentido!

Lançamento de Livro – Pesquisa de Opinião e Eleitoral

Postado por David On 26 - 08 - 2010

Bem pessoal, seguinte… Os colaboradores do site realmente levam à sério essa questão da informação. Prova disto é que Daniel Gonçalves de Menezes estará lançando na próxima Sexata-feira seu primeiro livro. Segue abaixo resumo e informações como horário e local de lançamento. Se não gostam de tema compareçam pelo menos pra tomar refrigerante e comer salgadinho de graça e jogar uma boa conversa fora. É isso… Compareçam e segue abaixo informaçãoes:

Título: Pesquisa de Opinião e Eleitoral: Teoria e Prática
Autor: Daniel Gonçalves de Menezes / Prefácio: Homero da Costa
Local: Livraria Cooperativa da UFRN – 27/08 – Sexta feira – às 18:30.
RESUMO
Este estudo é direcionado para aqueles que trabalham, direta ou indiretamente, com pesquisas de opinião e eleitorais, tais como pesquisadores, jornalistas, marketeiros, políticos, assessores, membros do judiciário, estudantes, além de todos aqueles que se interessam em saber como se processam as pesquisas de opinião. Esta obra não tem a pretensão de apresentar um manual fechado e acabado sobre como fazer levantamento de dados. A ideia é oferecer uma análise compacta sobre os principais pontos de confecção e manuseio estratégico das pesquisas voltadas para uma abordagem quantitativa.

A sondagem de opinião e eleitoral tornou-se uma importante ferramenta estratégica, utilizada abundantemente pelos mais variados grupos de pressão e pelos candidatos no processo de disputa política. É impensável imaginar que um cidadão que pleiteia um cargo público não faça uso das mais variadas formas de levantamentos para pensar e executar suas atividades de campanha.

Ah o combustível – Parte [2]

Postado por David On 24 - 08 - 2010

Bem, no último artigo acabei tendo a indelicadeza de não explicar uma outra coisa muito curiosa no que se diz respeito ao preço dos combustíveis. Na contra-mão em relação às teorias econômicas (que afirmam que quanto maior a produção – havendo demanda – o preço tende a zero) os combustíveis apenas aumentam.  Bem, na realidade este post é uma mão cheia para todos aqueles que odeiam (mas odeiam mesmo do fundo do coração – assim como eu) aqueles carros imensos sendo utilizados no meio das cidades. Meus senhores tenham noção! Não é porque você tem uma renda que lhe permite comprar um carro de R$ 150.000,00  que você tem que piorar o trânsito da cidade e aumentar o preço dos combustíveis. Daí alguém deve tá pensando: Como assim aumentar o preço dos combustíveis? Na realidade muito simples. O diesel no Brasil é subsidiado (não exatamente “pelo governo”, mas pela gasolina, o diesel é tão barato justamente pelo fato da gasolina ser tão cara) pois acreditava-se que o seu uso seria restrito à grandes máquinas, que (naturalmente) ocupar-se-iam de questões relacionadas ao abastecimento alimentar, transporte de cargas etc.  e da logística da nação como um todo. Mas não, no Brasil, como todo brasileiro é um bom brasileiro ele tem que dar um jeito de usar um carro que tem o combustível subsidiado (ou seja, fazer uma pexinxa para pagar menos e dar o jeitinho brasileiro) para uso pessoal. Daí, tá ai nas ruas um monte de “caminhoneta” à diesel, com uma ruma de playboy com um “paredão” no porta-malas que além de poluir acusticamente  a cidade com as músicas horríveis que costumam escutar (alguém já viu um paredão tocando musica de boa qualidade? Ao que me parece existe uma regra geral da física que explica o comportamento destas máquinas… quanto maior a potência de um paredão, pior será a qualidade da música tocada e vise-versa), ainda encarecem o valor da gasolina com seus carros à diesel. Pois bem, é isso, se alguém queria uma razão a mais para odiar paredão de som, agora tem…

Ah, só uma curiosidade: Mais uma vez a elite (pois apenas elite pode ter um carro de cento e cinquenta mil reais) fazendo suas farras e a população como um todo tendo que pagar o preço…

Enfim…

Vão votar em quem?

:)

Futebol Lado [B] – Parte 1 – O Periquito que virou Fênix

Postado por Rodrigo Servulo On 24 - 08 - 2010

O Periquito que virou Fênix

Há pouco mais de um ano, os torcedores do futebol norte-rio-grandense presenciaram o ressurgimento e ascensão de um velho conhecido da capital. Estou falando do Alecrim Futebol Clube. O time, que carrega a cor verde e branca em seu uniforme e tem um periquito como mascote, nasceu no dia 15 de agosto de 1915, no bairro que hoje carrega o seu nome. Hexa-campeão estadual e marcado pela excentricidade de ter tido um ex-presidente da República (o Presidente Café Filho) defendendo suas redes e o anjo das pernas tortas, Mané Garrincha, vestindo a camisa esmeraldina numa partida comemorativa em 1968. O Alecrim passou uma parte do século XXI no limbo, sendo lembrado apenas por antigos torcedores. Pouquíssimas referências eram feitas ao esmeraldino na mídia local, sendo apenas lembrado em espaços de sociabilidade futebolística. Não é a toa que o clube ainda é conhecido como time de “vovô”. Leia mais »

Ah o combustível…

Postado por David On 22 - 08 - 2010

Rapaz, definitivamente brasileiro é um bicho muito folgado. Aliás, não só folgado como só busca reproduzir informações que só justificam seu modo de agir. A última que tomei notícias foi o boicote aos postos da Petrobrás que me chegou por uma mensagem de email. Algumas pessoas muito inteligentes resolveram boicotar os postos BR, o objetivo disto? Fazer com que diminuam os valores dos combustíveis. Pra falar a verdade eu nunca vi uma corrente de email conversar tanta bobagem. Bem, quem regula os valores do combustíveis praticados no Brasil é a ANP (agência nacional de petróleo, portanto, tirem da cabeça que a Petrobrás é a responsável pelo preço dos combustíveis, é importante que o brasileiro entenda como funciona o próprio país). Leia mais »

Errar acontece, admitir é fundamental

Postado por Daniel Menezes On 11 - 08 - 2010

A bem da verdade! O Bonner, que eu critiquei em um post anterior, fez perguntas incisivas também para o Serra. O candidato tucano conseguiu enfrentar melhor a entrevista, nitidamente menos nervoso do que Dilma e procurando passar a imagem de bom moço. A unica diferença foi que deram mais tempo para Serra responder as questões. Dilma parece ter tido menos tempo, na mesma medida em que também foi constantemente interrompida.

Agora, é complicado dizer também se foi uma questão jornalística, ou diferença de desempenho dos candidatos. Acho que o Serra, demonstrando maior habilidade no trato com a telinha, fez a entrevista se tornar mais fácil para ele.

Campanha no JG

Postado por Daniel Menezes On 11 - 08 - 2010

Pessoal, estou revoltado!

Sinceramente! Cara de pau tem limite! O jornalismo da globo entrou de corpo e alma na campanha eleitoral. Acabo de ver uma matéria no jornal da globo que apresenta que o melhor salário de carteira assinada foi o de 1999. Segundo o JG, a economia hoje anda bem, há uma significativa criação de empregos com carteira assinada, mas, adivinhem, tal conjuntura não conseguiu bater o tempo de imensa bonança que foi 1999.

O subterfúgio (pseudo)econômico é bem simples. Retira-se um dado isolado de um momento bastante específico, trata-se o dado como ferramenta analítica divina que explica toda uma época para depois esconder taxa de crescimento, índice de desemprego, diminuição da desigualdade, dívida pública, dependência político-financeira, etc.

Sadenberg, que é alçado pela emissora do plin-plin a condição de um novo Celso Furtado, ainda é mais enfático – diz que o período FHC apresentava uma determinada estabilidade e desapareceu, em 2002, por causa da eleição do presidente Lula. Só agora, até um recém-nascido consegue deduzir o “profundo” raciocínio, o Brasil se aproxima da era de ouro que foi o governo FHC.

O interessante é que a matéria parece querer atacar a boa resposta dada por Dilma em entrevista concedida ao Jornal Nacional de ontem.

Tenho minhas reservas com relação as teorias conspiratórias que costumam circular na blogosfera. No entanto, a ligação é bem clara – Jornal Nacional, Manchete de capa no “O globo” e depois matéria aparentemente despretensiosa no jornal da globo com direito a uma tentativa de hipon do Arnaldo Jabour, que atribui o atual crescimento brasileiro ao plano real.

Dilma no JN

Postado por Daniel Menezes On 10 - 08 - 2010

Achei desrespeitosa a forma como o Bonner e a Fátima Bernardes entrevistaram a candidata a presidência do PT – Dilma.
O problema não foram apenas as perguntas. Acho até que elas devem ser duras mesmo. O candidato tem de ser apertado, já que, afinal de contas, ele governará o Brasil.
Agora o mesmo tom deve ser empregado com relação aos demais candidatos.
O que ficou feio de assistir foi o semblante de raiva no rosto do Bonner e o modo como os dois não permitiram, sequer, que a candidata respondesse aos questionamentos.

Sobre o debate da Band

Postado por Daniel Menezes On 6 - 08 - 2010

Vocês assistiram ao debate televisionado pela Band? Sim?! Que bom!
Não sei ficaram com a mesma impressão que eu, mas acho que o debate deixou muita gente do PSDB ainda mais preocupada. Isto porque os psdbistas cultivavam grandes expectativas para esse momento.
Porém, o fato concreto é que o Serra não foi nenhuma Brastemp, nem Dilma mandou tão mal como estavam prevendo.
Com as torneiras secando e as pesquisas apontando o forte crescimento de Dilma, Serra tem muito com o que se preocupar. Será que vem aí Regina Duarte, dizendo que está com medo?!

Lançamento de bomba atômica no Japão completa 65 anos

Postado por Daniel Menezes On 6 - 08 - 2010

Vi no site do Luis Nassif que o lançamento da bomba atômica no Japão, na cidade de Hiroshima, acabar de completar 65 anos.
Sempre fui relapso no ensino fundamental e médio. No entanto, sempre gostei das disciplinas de história e geografia. Elas que me salvavam da total ignorância.
Pois bem, ouvi de inúmeros professores em minha época escolar que a bomba foi lançada pelos americanos em resposta ao ataque japonês a base militar americana de Pearl HArbor.
Ora, apesar de ter entrado para a “história”, essa explicação figura como conto de ninar para criancinha.
É importante entender, neste sentido, que o ataque japonês de fato aconteceu. No entanto, se tratava, conforme já disse, de uma ofensiva contra uma base militar. Os dois países estavam oficialmente em guerra. Nessas condições um ataque se caracterizou como absolutamente normal.
A resposta americana, que também teria sido legítima se tivesse ocorrido com a mesma perspectiva, perdeu qualquer plausibilidade, na medida em que os americanos atacaram uma região civil e em um momento em que os japoneses já tinham pedido rendição incondicional.
E porque promover tal matança? Para mostrar a sua força militar ao Japão e aos demais países do globo.
O envio da bomba a uma cidade indefesa foi, sem dúvida, um dos maiores crimes de guerra da história da humanidade.

Um presídio pode dar certo?

Postado por David On 4 - 08 - 2010

Sempre me questionaram se acredito na recuperação das pessoas. Geralmente respondo que não. Não que duvide dos indivíduos em si e suas capacidades de auto-superação, não é bem isso. Quando digo que não acredito na recuperação trata-se de uma afirmação que compreende o sistema prisional como um todo.
Na prática é muito difícil recuperar alguém em um presídio. Sempre gosto de comparar situações como estas com coisas que observamos no dia-a-dia. Neste aspecto em especial comparemos o programa Big-Brother com os presídios, tendo em vista que uma coisa existe em comum: um confinamento onde pessoas são forçadas a conviver. Leia mais »

A sociedade evolui

Postado por Daniel Menezes On 2 - 08 - 2010

Um bom liberal não deve admitir que o estado se meta nos assuntos privados dos indivíduos. A escolha sexual é uma questão individual e não social. O estado deve, no máximo, agir no sentido de garantir que as liberdades individuais sejam efetivamente garantidas.
É neste sentido que representa um avanço o fato da receita federal aceitar o enquadramento do companheiro ou companheira, em uma relação homossexual, como dependente na declaração de renda.
O ideal é que nós cheguemos as mesmas condições dos argentinos, que já permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
A igreja não tem nada que ver com isso. Ela que, se quiser, pregue sua doutrina para os seus fieis e eles sejam livres para seguir ou não. Porém, não para toda a sociedade. A gente precisa evoluir e se civilizar.

É possível fazer uma campanha propositiva?

Postado por Daniel Menezes On 28 - 07 - 2010

CURIOSIDADES DA PESQUISA (28/07)

Pierre Bourdieu, sociólogo francês, é quem tinha razão – esse negócio de fazer uma campanha propositiva é altamente questionável. Cada vez mais pautados pelas pesquisas qualitativas, os candidatos são forçados a expressar o que os eleitores “querem ouvir”.

Além disso, dada as condições de disputa, os concorrentes se vêem levados a tentar “colar” uma visão negativa no seu opositor a partir das impressões pré-reflexivas compartilhadas entre os eleitores. É muito mais fácil manipular preconceitos já bem arraigados do que discutir e tentar disseminar novas agendas políticas. Os manuais de marketing são as bíblias de manipulação de preconceitos (Jogando para ganhar, livro de Ney Lima Figueiredo é um bom exemplo). É a razão instrumental criando o seu contrário e nos engolindo.

UM POUCO DE HISTÓRIA

O ano passado eu disse certa vez que um erro bastante comum em pesquisas eleitorais é confundir “desconhecimento” com “rejeição”. Afirmei que o candidato Iberê, apesar de ter o mesmo nível de “rejeição” de Carlos Eduardo e estar em piores condições eleitorais do que o candidato do PDT, era “desconhecido”. O teto de Iberê era nitidamente mais alto do que o do ex-prefeito de Natal. As últimas pesquisas vêm corroborando a assertiva.

Iberê tenderá a crescer ainda mais, já que receberá os votos do vilmismo e uma pequena transferência de votos do lulismo (a transferência entre esferas diferentes [federal e estadual] tende a ser bem menor, se comparado quando há o movimento no mesmo âmbito de disputa. Fátima Bezerra quis ignorar este e outros princípios e levou uma lavada em 2008). A “estrutura” é importante, mas há outras questões também merecedoras de destaque.

No entanto, acredito que se Rosalba continuar a desenvolver um discurso de não oposição a Lula e colar a imagem de “continuísmo” em Iberê (o povo está desesperado por qualquer tipo de mudança e o grupo do senador José Agripino vem sendo mais competente para preencher tal anseio), a vitória da Rosa de Mossoró será inevitável. É apenas mais outra projeção.

Daniel Menezes – Doutorando em Ciências Sociais

METODOLOGIA DAS PESQUISAS

Postado por Daniel Menezes On 24 - 07 - 2010

Não costumo consumir os textos do jornalista Luis Nassif. Ao analisar a vida política do país, Nassif pensa a correlação de forças entre os grupos em disputa como a luta do bem contra o mal. Muito maniqueísmo para o meu gosto.
Entretanto, no texto “Metodologia das pesquisas”, ele colocou o dedo na ferida.

Vale a pena conferir.

Do portal www.luisnassif.com.br

“Diferenças de metodologia” é uma maneira eufemística de analisar a metodologia da Folha em relação ao Vox Populi, Instituto Sensus e IBOPE. Pode parecer algo como “diferença de opinião” em que cada qual tem a sua e ambas são legítimas.

Na verdade, dos quatro institutos o Datafolha é o único que utiliza a metodologia mais vulnerável.

Os outros três pegam o perfil da população brasileira montado pelo IBGE. Depois, mapeiam estados, regiões, cidades, bairros e vilas. Anotam a proporção de casas e de população que reflitam o perfil montado pelo IBGE. Como vão de casa em casa – dentro da amostragem escolhida – os resultados refletem o perfil da população eleitora.

Já o Datafolha não. Montou uma metodologia menos rigorosa, visando economizar recursos. Na verdade, a estrutura do Datafolha é cheia de gorduras. Não consegue fazer pesquisas a preços competitivos com seus rivais. Essa gordura não está na parte analítica, mas no meio, na disfunção gerencial. Para compensar essa gordura, fez economia onde não devia: dispensou especialistas e montou uma metodologia falha, visando economizar na ponta – e não no meio, como deveria ser.

Assim, em vez de montar a amostragem rigorosamente, fazendo entrevistas de casa em casa, de acordo com um perfil de entrevistados condizentes com os dados do IBGE, coloca seus pesquisadores em locais públicos, caçando pesquisados na base do olhômetro. Esse aqui tem cara de ser secundarista, este de ser classe média. Só depois de preenchidos os questionários é que vão montar o perfil dos entrevistados – que acaba quase nunca batendo com o perfil da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio)

Com isso capta movimentos errados, monta amostragens incorretas – já que a idade, condição social e educacional dependem do olhômetro e acabam não refletindo o perfil da população brasileira levantada pelo IBGE.

Agora, nem isso justifica 9 pontos de diferença. Uma das duas está profundamente errada.

“Não jogue seu filho no lixo”

Postado por Lorena On 23 - 07 - 2010

Essa é a nova campanha do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em parceria com a Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA). A justificativa da campanha se dá devido aos recorrentes fatos de abandono de recém-nascidos em vias públicas ou lugares de risco como lixeira, calçadas, dentre outros. Dessa forma, o Tribunal de Justiça e a CEJA elaboraram um folder explicativo, com uma imagem no mínimo chocante e informações de como proceder ao encaminhamento da criança indesejada para adoção. Logo, me veio a pergunta: o que é mais viável e eficaz, uma campanha desse tipo com material visual espalhado em vários pontos de grande movimento na cidade do Rio de Janeiro (ex. metrô) ou uma campanha preventiva, programas sociais, políticas públicas, meios de disseminar a informação de forma realmente eficaz para que atinja as mulheres sobre como prevenir uma gravidez indesejada? Leia mais »

POR UMA VERDADEIRA VALORIZAÇÃO DA OBRA DE CÂMARA CASCUDO

Postado por Daniel Menezes On 22 - 07 - 2010

Câmara Cascudo nos deixou um grande legado. Desenvolveu uma vasta obra que versou sobre os mais variados temas. Demonstrou grande acuidade analítica ao tentar compreender nossas especificidades culturais, históricas e sociais. No entanto, apesar de sua produção intelectual, as duas principais correntes predominantes interpretativas de seu pensamento não conseguiram, nem de longe, tangenciar as suas reais potencialidades teóricas.
A primeira escola – seguida pelo oficialato da cidade – se notabilizou e continua a se destacar por salientar as capacidades extraordinárias de Câmara Cascudo e de como é bom Natal ter um intelectual representativo no cenário nacional. Os seus interlocutores ficam restritos a uma leitura biográfica – um pouco fantasiosa, diga-se de passagem – do pensador. Leia mais »

Comentário sobre o concurso da UERN

Postado por Daniel Menezes On 17 - 07 - 2010

Publico comentário de um leitor. Ele parece conhecer bem o mundo dos concursos públicos nas Universidades. Vale a pena conferir.

Esta ilegalidade, esta corrupção, esta falta de vergonha e de respeito ocorre em praticamente todas as academias, notoriamente nas locais, aqui do RN: UERN, UFRN são, nacionalmente, sinônimo de concursos docentes viciados. Os motivos são variados: cumpadrios, parentescos, interesses sexuais, cumplicidades ideológicas, politicagem (tudo por um voto!), etc. Incrível? Quem duvidar, pague para ver do que é capaz a “elite intelectual” local. Estes meus olhos drummondianamente cansados já viram muita coisa… há golpes tão ousados que beiram o surrealismo: cola na prova, sedução, favores sexuais, nudez, cantadas, cpf copiado na palma da mão, desrespeito ao edital, sorteio viciado, violação de prova, falsificação de currículo, inversão de notas por “engano”, telefonemas “inocentes” de pressão, “esquecimentos”, jogos psicológicos… e por aí vai. Mais absurdo do que tudo isto, só a inconsistência de “critérios” de avaliação nas provas didáticas. Só digo mais uma coisa: ter a coragem de contar tudo e protestar não basta. A coisa só vai melhorar quando alguém conseguir, pela via judicial e/ou parlamentar, as mudanças necessárias. Até lá, trocar conhecimentos sobre as armadilhas mais comuns ajuda a ficar esperto para não pecar por ingenuidade. Por exemplo: vc sabia que a falta de transparência e de publicização do processo, a quebra de protocolos, as comunicações apenas verbais, a “flexibilização” do edital, datas e horários, a “informalização” são fortes indícios de corrupção em concursos? Além de serem ilegalidades!!! Vc, candidato, deixe de lado a permissividade cultural e não permita que as pequenas “informalidades”, os “pecadilhos”, ocorram; o perigo mora nos detalhes, mesmo que aparentemente “inocentes”, “inofensivos”…

Manual para incentivo ao tráfico de drogas

Postado por David On 5 - 07 - 2010

Manual para incentivo ao tráfico de drogas: ou como a polícia e a legislação incentivam o narcotráfico.

Leio constantemente os artigos que saem nos jornais locais sobre “o problema da droga” na cidade de Natal. Para o meu azar, leio também outras fontes (que possuem alguns pontos a mais de QI em relação aos redatores de jornais e delegados de polícia de nosso Estado) e a partir da observação do que vem acontecendo resolvi criar este manual para o incentivo ao tráfico de drogas. Ele consiste basicamente em ensinar como aumentar a quantidade de pessoas interessadas em realizar tal prática. Trata-se de algo bastante curioso, vejamos como acontece. Leia mais »

Em matéria publicada no dia 04 de julho de 2010, nosso famoso jornal, a “Tribuna do Norte” publica uma matéria que aborda a questão do consumo de drogas dentro da cidade de Natal e nas universidades em especial.
Sempre que se debate este assunto fico de orelha em pé, é comum confundirem problemas com “drogas” com problemas de ordem social. Explico melhor. A exemplo do que quero falar, um professor do departamento de serviço social da UFRN faz o seguinte comentário no artigo publicado na tribuna: “Ainda há muito preconceito da sociedade em relação ao usuário. Muitos acham que o consumo de drogas tem a ver com a moral da pessoa, a ética. Embora já tenha se visto que se trata de uma doença, não é encarada assim para a maior parte das pessoas, que ainda consideram um desvio de conduta”. Uma afirmação como esta pode ser interpretada de diversas formas (tendo em vista a generalidade com que se tratou o assunto). Leia mais »

Privadas voadoras

Postado por David On 26 - 06 - 2010

O que representa a civilização e o progresso não é o livro, o telefone, a Internet ou a bomba atômica. A privada, sim. Onde os seres humanos esvaziam a bexiga e os intestinos é determinante para saber se ainda estão mergulhados na barbárie do subdesenvolvimento, ou se já começaram a palmilhar um caminho mais próximo ao El Dorado. As conseqüências desse fato simples e transcendental ao cotidiano das pessoas são vertiginosas.

No mínimo, um terço da população do planeta – uns 2,6 bilhões de pessoas – não sabe o que é um sanitário, uma latrina, uma fossa séptica, e faz suas necessidades como os animais, no mato, à beira de córregos e mananciais, ou em sacolas e latas que são jogados no meio da rua. Na Comunidade do Maruim, na zona portuária de Natal, não é diferente. Com pouco mais de 100 famílias morando no local, é generalizado o sistema das chamadas “privadas voadoras”. Leia mais »

A estupidificação humana na defesa dos animais

Postado por David On 26 - 06 - 2010

Gosto de animais. Na realidade os adoro. Crio cães e gatos (ultimamente mais gatos, pois são mais “práticos” do que cães, você não precisa dar banho em gatos ou leva-los para andar para que façam cocô e urina) desde minha infância. Li também muitas pesquisas que demonstram como o apego aos animais e o processo de perdê-los (afinal geralmente animais domésticos não vivem mais do que 10 anos – a menos que você tenha inventado de criar uma tartaruga ou um papagaio) nos dá um grande aprendizado social, fazendo com que lhe demos melhor com os processos de perda de entes queridos, etc. Porém, gostar de animais não me torna tão irracional quanto os mesmos. Leia mais »

Dunga x Rede Globo

Postado por Carlos On 25 - 06 - 2010

Norbert Elias dizia que a melhor forma de comprovarmos a existência e dinâmica da chamada opinião pública de um país é voltarmos nossa atenção para o exame da “base comum” que perpassa a pluralidade de diferentes opiniões. Segundo Elias, a opinião publica nacional pode apresentar um grau elevado de uniformidade de percepções e interesses acerca de determinados temas, mas também, noutros casos, ser sede de grande oscilação de opiniões contrapostas. Em relação a esse último aspecto da dinâmica de funcionamento da opinião pública, o caso recente da crise Dunga x Globo constitui em caso exemplar de oscilação da opinião pública nacional. Leia mais »

Preocupações leigas sobre a ética feminina

Postado por Stphanie Campos On 21 - 06 - 2010


Podemos entender a ética como a capacidade de avaliar as próprias ações; como um conjunto de regras que guia o comportamento de determinado coletivo social nos remetendo à idéia de moralidade; ou como um sistemático estudo sobre como deve o ser humano comportar-se em sociedade remetendo-nos aqui à uma idéia de filosofia moral.
A partir das intervenções de Tomás de Aquino e Agostinho na ideologia ocidental surge a visão maniqueísta na qual temos o livre arbítrio de escolher entre o bem e o mal, no entanto somos livres devendo saber que só há um caminho, verdade e vida, que deve ser alcançado seguindo-se as regras de conduta ditadas pela filosofia do cristianismo que vigora fortemente nos nossos dias. Surge então a conduta moral como sinônimo de ética, a conduta imoral que se contrapõe à ética e a conduta amoral, que a ignora totalmente. Leia mais »

ELEIÇÃO CALDO DE BILOCA

Postado por Daniel Menezes On 31 - 05 - 2010

CURIOSIDADES DA PESQUISA

ELEIÇÃO CALDO DE BILOCA

A (pré)eleição, resumida a publicação de pesquisas eleitorais e de processos judiciais, está um verdadeiro pé no ovo esquerdo. Se não bastasse o caldo de biloca, temos de aturar ainda dois candidatos sem nenhum tipo de carisma político.
De um lado, Dilma, a candidata do homi, visivelmente inexperiente do ponto de vista eleitoral. Lula fez um bom governo. Isso é inegável. No entanto, será que as pessoas terão de votar em mim amanhã só porque ele me apontou na rua? A estratégia, além de maniqueísta, pois tenta vender a luta de deus contra o diabo, é lacunar.
Do outro, Serra, um candidato que tenta mostrar que não está no partido que está, não se aliou com quem se alinhou e não tem o passado que tem. É um verdadeiro caso patológico. É ahistórico e asocial, mas jura que conseguirá ir além do Lula.
Não há nem um Lula nem um FHC, que independentemente dos posicionamentos ideológicos que cultivam, são verdadeiros lideres. São políticos capazes de pautar a burocratização do mundo como sonhou Max Weber. Para a infelicidade da política, os discursos vão sendo dominados pela força quase divina das chamadas qualis.
Ah! Já ia me esquecendo. Temos também Marina Silva. O problema da boa senadora do Acre é que, por mais que a questão ambiental seja relevante, este não é o problema central do Brasil. Além disso, é um discurso de uma nota só, que tem um impacto muito específico e direcionado a um determinado estrato de classe.
O que o eleitorado quer é um programa que promova crescimento econômico com inclusão social. E quanto mais abrangente o discurso, mais competitivo ele se torna. Não é possível, portanto, tocar uma música com apenas uma corda de violão.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Enquanto isso, na Bahia, Paulo Souto parece estar bem posicionado e com chances reais de vitória. No entanto, a história das sondagens na terra de todos os santos já mostrou que é complicado levar as pesquisas à sério demais. Em 2006, Wagner, um dia antes da eleição, apareceu com 11% das intenções de voto, enquanto que o candidato do finado Toinho despontava com incríveis 70% do eleitorado. Ao abrirem as urnas, o PTista levou a parada.

Curiosidades do Mundo Empírico

Postado por Daniel Menezes On 31 - 05 - 2010

CURIOSIDADES DA PESQUISA

A oposição está de orelha em pé! Os dados publicados pelas pesquisas não são muito favoráveis.
O problema para eles é que Dilma, presidenciável do governo, mesmo estando na
segunda posição, tem uma boa projeção de crescimento. A causa é
relativamente simples – ela ainda é pouco conhecida pelas classes C, D e
E. Estas classes foram as que mais se beneficiaram com o governo que lhe dará suporte
nas eleições de 2010.

UM POUCO DE HISTÓRIA DA PESQUISA

O estatístico americano Georg Gallup (1901-1984), um dos responsáveis pela difusão
na pesquisa eleitoral e de opinião no mundo, também costumava chamar as sondagens
“de meio de manipulação da opinião pública”.

ELEITOR FLAMENGUISTA

Postado por Daniel Menezes On 16 - 04 - 2010

Há vários mitos que permeiam as pesquisas eleitorais. Um bastante comum é o que afirma o efeito maléfico das sondagens, na medida em que motivaria muita gente, principalmente o eleitor pobre, de baixa escolaridade e sem “cultura política”, a votar naquele que está ganhando “só para não perder o voto”. A publicação da pesquisa, nesta lógica de pensamento, deve ser regulamentada sob pena de influenciar negativamente o processo democrático, que prevê a consolidação de um ambiente político de escolha no qual o eleitor esteja de posse de informação e livre de interferências externas.
O problema é que este eleitor, teoricamente desinformado, que enxerga a eleição como uma disputa de campeonato futebolístico e usa o levantamento para votar sempre naquele que está ganhando só existe na cabeça preconceituosa da classe média, que acredita ser a única classe portadora de disposições reflexivas. A única que tem inteligência para votar.
Além de partir deste pressuposto impensado, a idéia de regulamentação jurídica das publicações dos levantamentos está intrinsecamente relacionada com o período ditatorial pelo qual atravessou o Brasil. Durante o também chamado período de chumbo, as fraudes eleitorais eram normais, e, dada a correlação de forças estabelecidas, não era possível fazer muita coisa. Qualquer tipo de questionamento era severamente suprimido pelos censores. As pesquisas eleitorais despertaram a ira dos ditadores no momento mesmo em que começaram a demonstrar, através, principalmente, de sondagens de boca de urna, as contradições dos resultados advindos das urnas. Sempre ficava uma questão no ar – como era possível uma sondagem eleitoral, feita no dia da eleição, apresentar dados tão diferentes daquilo que depois sairia das urnas?! Os militares, preocupados em atribuir legitimidade às fraudes eleitorais, desenvolveram toda uma campanha em prol da desqualificação dos levantamentos. Portanto, muito de nossa a desconfiança com relação às sondagens interage com um imaginário social forjado pelos políticos de farda.
O discurso contestador das sondagens, apesar de aparentemente crítico, está, comumente, alicerçado em um preconceito de classe e em um retrospectivo político altamente autoritário.
O fato concreto é que, de um modo geral, as pesquisas influenciam mais os eleitores dos estratos médios e mais abastados, já que são esses que lêem os periódicos aonde, normalmente, as pesquisas são divulgadas. O trabalhador, mais dependente da urgência material e ocupando uma posição na divisão social do trabalho que lhe permite uma menor quantidade de tempo para “refletir sobre a política”, só deixa para conjeturar sobre em quem irá votar, ao contrário dos outros agentes, no momento em que as eleições acontecem de verdade. No instante em que a disputa invade as ruas e a televisão.
Não nos iludamos. O relacionamento do cidadão com a política não tem nada de universal. Este cidadão parte de um ponto de vista e da vista de um ponto. Sua interação, não apenas com a esfera política, mas também com a sociedade como um todo, tenderá a variar de acordo com sua a inserção social sincrônica e a sua consolidação biográfica enquanto um ser que recebeu, através do processo de socialização que atravessou, modos de ser, de fazer e de pensar o mundo no qual ele se encontra enredado.
Portanto, são os sujeitos que acompanham a política “mais de perto” que são influenciados pelos resultados das sondagens. É o eleitor que pode acordar pela manhã e tomar café lendo o jornal que veicula os números da disputa eleitoral, que realmente utiliza as sondagens como recurso cognitivo e, baseando-se nos levantamentos eleitorais, praticam o voto útil e não o suposto e irreal eleitor flamenguista.

UM TIRO NO PÉ DO MONTENEGRO

Postado por Daniel Menezes On 21 - 03 - 2010

A estratégia do Montenegro, líder do instituto de pesquisas IBOPE, no ano passado teve o claro propósito de ajudar a campanha do Serra. Ele afirmou que a candidatura de Dilma estava fadada ao fracasso.
A alegação dele era que a taxa de rejeição dela era muito alta e que isto a invalidava enquanto candidata.
O fato é que qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento em pesquisa, como é, inegavelmente, o caso do Montenegro, sabe que alta rejeição pode significar, não resistência por parte da população, mas o simples desconhecimento de quem é a candidata.
Como líder de um grande instituto de pesquisa que é, Montenegro também sabe que as doações de campanha são fortemente ditadas pelo ritmo das pesquisas. Ninguém quer patrocinar uma candidatura perdida. ´
Além disso, as pesquisas também desempenham um importante papel na configuração das alianças partidárias. Serve como um recurso cognitivo.
O Montenegro tentou, através da força que sua fala tem no campo político, invalidar os investimentos e as alianças em torno da candidatura de Dilma.
Jogou alto demais e perdeu. Teve que se retratar. Afirmou que “não entende porque disse aquilo o ano passado”.
O fato é que seu instituto se tornará ainda mais desacreditado. As suas filiações com a direita estão, a cada eleição, minando ainda mais o seu instituto.
Só lembro do slogan da campanha de Collor em 1989 – Quando Collor cai a pesquisa do Ibope não sai.

JOSÉ AGRIPINO DANDO MUNIÇÃO PARA O GOVERNO

Postado por Daniel Menezes On 20 - 03 - 2010

O Senador José Agripino só pode estar com o juízo nos pés, o que é bom para a plataforma discursiva do governo.
Levantar a discussão sobre as supostas vantagens do modelo de concessão, que regulamenta a relação entre setor público e privado na extração do petróleo brasileiro, significa defender um modelo privatista, que foi massacrado nas urnas em 2006.
O modelo de concessão será rapidamente associado as privatizações de FHC e a coisa do tipo – “Ah, José Agripino é contra ao fato de que o ‘Petróleo deve ser nosso’”.
Não é possível afirmar que o modelo de concessão é propriamente um modelo privatista. Porém, se comparado ao mecanismo de partilha, é o que mais se aproxima dele. E como sabemos que publicitários, principalmente os de campanha, não se preocupam muito com questões epistemológicas sobre a validade das afirmações, os marketeiros de Dilma terão um prato cheio.
Não diria que ele está dando munição, mas um exército inteiro para o governo.

Corrupção à Brasileira

Postado por David On 11 - 03 - 2010

O que faz a corrupção brasileira diferente das demais?

Pessoas desonestas sempre existiram. Em todas tribos, países ou nações. Não existe um só relato histórico onde a desonestidade não apareça em local de destaque. É assim que as estruturas funcionam, a corrupção da moral estabelecida é detestável em todos os locais. Desde antes do surgimento da escrita, os enredos míticos já denunciavam a amoralidade presente nos atos de corrupção. As punições destinadas aos corruptores da boa moral sem dúvida alguma mutam ao sabor do tempo e da cultura. Desde às primeiras leis escritas aos modernos códigos de leis, a história das punições teve local de destaque para a formação moral da população, uma espécie de poder disciplinar que visa sempre mais propriamente educar do que punir. Leia mais »

A miséria da política

Postado por David On 5 - 03 - 2010

A miséria da política na blogosfera potiguar

Leia o trecho abaixo, publicado em um blog dedicado à vida política do Rio Grande do Norte. Comento depois.
Fábio Faria faz campanha pelo interior com o pé inchado (http://www.thaisagalvao.com.br)

E o deputado Fábio Faria está de pé inchado. Não por causa das andanças pelo interior. Foi quando saía da casa da prefeita Socorro, em Venha Ver, que ele torceu o pé. E de pé inchado, o deputado percorreu mais 4 municípios no domingo, e mais 3 ontem à noite. Sem tempo nem para calçar uma bota de gesso…” Leia mais »

Entre BMWs e Ferraris

Postado por David On 5 - 03 - 2010

Entre BMWs e Ferraris, o PT do RN escolhe correr de fusquinha na disputa por uma vaga no Senado

Como já é quase certo que o PT do Rio Grande do Norte marchará com a candidatura do Vice-Governador, Iberê Ferreira de Sousa (PSB), ao Governo do Estado, resta ao partido dar um melhor contorno à engenharia política da sua chapa para o Senado. Uma candidatura já está definida, aquela da governadora Vilma de Faria. Mas, como em outubro próximo o eleitor votará em dois candidatos ao Senado, o PT deseja que o segundo nome na chapa situacionista seja seu. E, para sermos sinceros, isso é o mínimo que se espera de um partido com a sua trajetória no estado. Mas não se trata de uma equação fácil. O jogo de forças no interior do partido não é coisa para principiante, e nem para sonhadores, herdeiros dos ideais do PT do início da década de 1980. A disputa pela vaga deve revelar “os piores instintos” dos concorrentes e seus promotores…

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