Rio Grande do Norte, sábado, 24 de junho de 2017

Carta Potiguar - uma alternativa crítica

publicado em 20 de abril de 2017

Garibaldi recebeu executivos da Odebrecht em casa após pedir dinheiro

postado por Carta Potiguar

Victor Leão
Jornalista

Sob o codinome “Lento”, o senador Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN) recebeu R$ 200 mil, em duas parcelas, da Odebrecht para sua campanha naquele ano. Depois de pedir o dinheiro, a confirmação da “ajuda” ocorreu no seu apartamento, feita por dois ex-executivos da construtora. O responsável por receber as senhas, datas e locais para saque era Lindolfo Sales, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), entre 2012 e 2015, e ex-secretário de Finanças do RN na gestão de Garibaldi.

A Procuradoria-geral da República (PGR) pediu a abertura de inquérito contra Garibaldi para investigar crime de caixa dois, mas há possibilidade de extinção da punibilidade do senador em função do tempo em que o fato ocorreu e da idade dele. (Foto: Reprodução)

O ex-diretor superintendente da Odebrecht para o Norte e Nordeste, João Pacífico, disse que recebeu essa demanda do seu subordinado em Natal, Ariel Parente. Por sua vez, Ariel falou que a iniciativa foi de Pacífico. O fato é que os dois afirmam ter visitado o senador em seu apartamento na capital potiguar e informado sobre a doação fora da lei. “Nunca bati na porta de nenhum político para oferecer ajuda de campanha. Sempre nós somos demandados”, disse Pacífico. Esse pagamento também foi confirmado por Benedicto Júnior, ex-vice-presidente da Odebrecht.

De acordo com o ex-diretor superintendente, o pedido de doação só foi aceito, porque Garibaldi era um político influente, que já havia ocupado a presidência do Senado Federal. O pagamento não estava ligado aos repasses de obra alguma, como ocorria na maioria dos casos. O executivo da Odebrecht em Natal reconhece que a empresa poderia cobrar a contrapartida. “Mesmo que não tivesse a curto prazo alguma coisa a ser solicitado dele, mas, no futuro, poderia aparecer”, frisou.

Mais uma vez, o executivo Ariel Parente foi designado para passar os dados do saque do dinheiro quando tudo estivesse pronto. Da parte de Garibaldi, o responsável por receber essas informações era Lindolfo Sales. O funcionário da Odebrecht diz cita o nome Lindolfo, mas diz não lembrar do nome exato. Apesar disso, afirmar ter certeza que “começava com Lin”.

Lindolfo Sales, além de presidente do INSS por indicação de Garibaldi, Lindolfo Sales foi chefe de gabinete do então ministro da Previdência,(Foto: Reprodução)

O pior de tudo isso é que o senador pode ficar impune. Inicialmente, a Procuradoria-geral da República (PGR) pediu a abertura de inquérito contra Garibaldi para investigar crime de caixa dois. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, enviou todo o material de volta para que a PGR se manifeste sobre a possibilidade de extinção da punibilidade do senador em função do tempo em que o fato ocorreu e da idade dele.

Quem é o intermediário?

Além de presidente do INSS por indicação de Garibaldi, Lindolfo Sales foi chefe de gabinete do então ministro da Previdência, trabalhou no escritório local do senador e foi diretor-geral do Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran). Professor de Engenharia Civil da UFRN, Sales também foi nomeado por Gari para cuidar do dinheiro do Estado durante sua gestão. O engenheiro civil foi Secretário de Planejamento e Finanças estadual.

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